TARJUMAN, NICHOLSON

Nicholson, Ibn Arabi, Tarjuman al-Ashwaq

Ibn Arabi (560–638 H.), o mais célebre de todos os místicos muçulmanos, tem como única obra até então publicada em edição europeia um breve glossário de termos técnicos sufis, editado por Fluegel em 1845 junto com a Tarifat de Jurjani, sob o título Definitiones theosophi Mohjied-din Mohammed ben Ali vulgo Ibn Arabi dicti.

Os manuscritos do Tarjuman al-Ashwaq apresentam três recen sões distintas, o que constitui um curioso problema de história literária relativamente à data de composição dos poemas e do comentário.

Dozy acreditava que a data verdadeira de composição, 598 H., estava no prefácio da primeira recensão e que Ibn Arabi a teria postergado treze anos ao publicar a segunda recensão, para apagar a memória de seu escândalo.

1. Prefácio da Primeira Recensão

Na chegada a Meca em 598 H., Ibn Arabi encontrou um grupo de eruditos e sábios, homens e mulheres, cujos antepassados haviam emigrado da Pérsia nos primórdios do Islã, mencionando especialmente Makinu ddim Abu Shuja Zahir b. Rustam b. Abi r-Raja al-Isbaham e sua idosa irmã, Fakhru n-Nisa bint Rustam.

2. Prefácio da Segunda Recensão

O prefácio da segunda recensão reproduz, após uma lista dos nomes e títulos de Ibn Arabi, o mesmo parágrafo conclusivo da primeira recensão, com a indicação explícita do ano 611 para a composição dos poemas em Meca, sem variação adicional.

3. Prefácio da Terceira Recensão

A terceira recensão é idêntica à segunda, acrescentando apenas uma declaração sobre os motivos que levaram o autor a escrever o comentário.

Com todos os materiais disponíveis examinados, a teoria de Dozy sobre a falsificação da data é considerada insustentável pelos seguintes motivos.

A sinceridade de Ibn Arabi ao afirmar que seus poemas eram místicos em espírito, embora eróticos na forma, deve ser respondida afirmativamente.

Os manuscritos utilizados para a edição são três, sem discussão dos poemas do ponto de vista literário e artístico nem relato das doutrinas místicas presentes no comentário.