EXEGESE ESOTÉRICA SUFI

CECQ

O comentário anagógico dos textos sagrados não é próprio nem do movimento sufi nem do Islã em geral — Fílon de Alexandria (morto por volta de 50 d.C.) é considerado seu primeiro grande representante, e sua abordagem e seus temas se difundiram amplamente entre os teólogos cristãos dos primeiros séculos.

A exegese sufi do Alcorão repousa sobre duas ideias fundamentais — a primeira é a polaridade zahir-batin, expressa pelo célebre hadith: “O Alcorão tem um sentido exotérico (zahr) e um sentido esotérico (batn); esse sentido esotérico tem um sentido esotérico, e assim até sete sentidos esotéricos.”

A segunda ideia fundamental que distingue a exegese sufi é seu fundamento na realização espiritual — experiência vivida e apresentada como uma intuição intelectual imediata que impõe ao leitor sufi do Alcorão os sentidos espirituais virtualmente contidos na formulação exterior dos versículos.