LOUVOR

MORA, Fernando. Ibn ’Arabi: vida y enseñanzas del gran místico andalusí. 1. ed ed. Barcelona: Ed. Kairós, 2011.

Adoração: Servidão Essencial e Estabelecida

A noção de adoração (ʿibada) possui implicações ontológicas que transcendem o sentido ritual que normalmente se atribui a essa expressão; Ibn Arabi distingue dois tipos fundamentais: a adoração essencial ou intrínseca, que constitui a própria trama da existência e ninguém tem poder de rejeitar, e a adoração convencional ou estabelecida, derivada dos mandamentos religiosos transmitidos pelos diferentes mensageiros.

Glorificação Essencial

A glorificação essencial — irrevogável, inerente ao próprio fato de existir — é emitida por todos os seres do cosmos, visíveis e invisíveis, animados e aparentemente inanimados, em linguagens incompreensíveis para a maioria dos humanos.

Natureza Primordial (Fitra)

A fitra — natureza primordial — é uma luz que cliva a unidade indiferenciada da existência, distinguindo as entidades umas das outras; é a natureza virginal, desprovida de conceitos e julgamentos, capaz de testemunhar diretamente as coisas como são.

Religião Essencial

A religião essencial é a submissão (Islam), enquanto a religião criada é a sustentada por aqueles que adoram o Deus criado na crença; entre as duas não há contradição, mas elas operam em planos distintos.

O Mundo da Ordem e o Mundo da Criação

O mundo da ordem (ʿalam al-amr) designa o domínio não-manifesto da realidade, enquanto o mundo da criação (ʿalam al-khalq) representa a transformação do único comando divino nas diversas entidades espirituais, imaginais e sensoriais que compõem o cosmos.

A Oração Islâmica (Salat)

A oração não é apenas a prática básica que resume as obrigações religiosas no Islam, mas um microcosmo, uma síntese dos reinos naturais que compõem a criação — é o universo inteiro que ora por meio do corpo e da mente do adorador.

A Lembrança de Deus (Dhikr)

O dhikr — lembrança dos nomes divinos — é considerado a principal obra supererrogatória; na forma mais comum, a repetição de um dos noventa e nove nomes divinos constitui a prática mais amplamente utilizada.

O Exame de Consciência

A prática do autoexame (muhasabat al-nafs) possui longas raízes que remontam aos filósofos estoicos, passaram pelos primeiros cristãos e foram sistematizadas no Islam por Hasan de Basra (m. 728), al-Harit al-Muhasibi (m. 857) e Abu Hamid al-Ghazali.

O Retiro Espiritual

O retiro espiritual é apenas um meio provisório e nunca um fim em si mesmo para aprofundar a jornada que conduz da mera evocação mental à autêntica presença divina; a solidão absoluta não se enquadra no horizonte espiritual akbari.