3. MOMENTO AVICENIANO

CJAE

A origem do problema da metafísica

A chamada “revolução sadriana” é menos radical do que parece, pois Sadra permanece profundamente tributário do mundo aviceniano, cuja intenção última ele conserva ao metamorfoseá-la, visando uma única destinação: pensar o salvo corporal e espiritual do homem.

A cisão ontológica

A distinção aviceniana entre existência e quididade — ponto de partida da reflexão de Sadra — opera uma cisão no coração do existente real que, para Sadra, tem o insosso de uma pura e simples abstração, mas que é, paradoxalmente, a condição de toda reconciliação posterior.

O enigma da quididade

A quididade pode ser compreendida em três estados — existente nos indivíduos, existente nas almas, ou absoluta, como comum a ambas —, mas apenas dois desses estados são propriamente existenciais, e o terceiro — a quididade em si — constitui uma enigma que só pode ser resolvida pela referência à providência divina.

Sem Deus e seus atributos, o estatuto da quididade pura é impensável: a quididade não tem existência em um “tempo” anterior à existência concreta ou mental, e seu estatuto designa essas quididades no movimento de eduzir fora da simplicidade divina.

A reconciliação ontológica

O possível, ao contrário do necessário, possui uma quididade definida e sua precariedade ontológica reside em que sua realidade essencial não é constituída pela existência concreta — a existência lhe “advém” como acidente concomitante inextricável, mas não constitutivo.

O tema geral do amor possui a maior importância no sistema aviceniano: transfigura o conhecimento que podemos ter da existência e do princípio, identificando a existência mais que perfeita e superabundante de Deus à beleza e ao esplendor.

O conceito de intensidade surge no coração do dispositivo aviceniano como a noção que permite pensar a analogia da existência e que conduzirá Sadra a modificar radicalmente o estatuto da existência, cessando ela de ser um concomitante da quididade para tornar-se o ato de ser cujo grau de intensidade determina o lugar de cada existente no movimento contínuo do ser.