A ontologia da manifestação estabelece uma distinção fundamental entre o ato de ser e a quididade, comparável à relação entre forma e matéria.
Diferença de estatutos entre wojûd — ato de ser — e mâhîya — quididade.
Analogia com as categorias de ato e potência, forma e matéria em Mollâ Sadrâ.
A quididade manifesta-se como resposta à indagação sobre a essência da substância, identificando-se com a substância segunda ou espécie.
Questão fundamental — que é ela? — aplicada à substância.
Juízo de atribuição quiditativo com função de ligar o sujeito à substância segunda.
Primazia da espécie sobre atributos de quantidade, qualidade, relação, tempo e lugar.
A quididade situa-se no domínio da matéria por ser um universal abstrato destinado à especificação.
Tese peripatética do gênero como matéria para a diferença.
Matéria definida como o universal abstrato em oposição à ipsedade concreta.
Forma entendida como o real efetivo e traço da instauração do ser.
A tradição aristotélica trata a relação entre gênero e matéria de forma metafórica, enquanto Mollâ Sadrâ a interpreta de modo literal e ontológico.
Caráter abstrato da matéria e da quididade.
Definição de quididade como determinação comum extraída pela inteligência discursiva.
Identificação da quididade e da matéria como nomes do não-ser e da limitação — hadd.
A ascensão em direção à forma pura e à inteligência implica o abandono das limitações da espécie e do gênero em busca da unidade absoluta.
Tendência ao ato de ser puro sem matéria.
Alcance de singularidades puras e unificação integral no Único.
Movimento intrassubstancial como metamorfose para despojar o que é comum.
O mundo sensível promove a abstração ao velar o ato de ser sob a aparência da matéria universal, resultando em uma percepção enganosa da realidade.
Presença do não-ser através da participação na matéria universal sensível.
Ocultamento do indivíduo em favor da espécie.
Necessidade do conhecimento presencial para retornar à raiz no Malakût e ao Um.
As quididades representam uma falha no ser e entravam a singularidade máxima do ato de existir.
Quiddidade como marca de deficiência e limitação da intensidade ontológica.
Comunidades políticas e sociais vistas como realizações fixas de quididades comuns.
Oposição entre o espaço comum limitado e o agrupamento espiritual das singularidades no Um.
A queda ontológica manifesta-se na pluralização em indivíduos abstratos pertencentes a espécies comuns, distantes da unidade das Inteligências.
Inteligências como subjetividades puras sem gênero ou espécie.
Ausência de termos comuns entre os nomes divinos.
Mundo da Inteligência como domínio da necessidade e existência puras sem não-ser.
As quididades não possuem existência própria, surgindo apenas quando a efusão da luz divina enfraquece e se materializa em corpos e almas.
Queda da luz infinita através da multiplicação e do obscurecimento.
Emergência de gêneros e espécies no grau inferior da natureza.
Debate sobre a estabilidade da realidade inteligível versus o não-ser da quididade.
Avicena interpreta as Ideias platônicas como duplicação da realidade entre modelos inteligíveis eternos e cópias sensíveis corruptíveis.
Mollâ Sadrâ contesta a visão de que a Ideia seja um simples predicado lógico, reafirmando sua função de foco gerador e sujeito constituinte.
Impasses da doutrina clássica da participação e da atribuição lógica.
Ideia como lugar de congruência — ittifâq — e unificação existencial.
Relação entre o constituinte — princípio — e o constituído — derivado.
Diferentes filósofos propuseram interpretações divergentes sobre as Ideias, situandoas na ciência divina ou como universais naturais.
A redução da Ideia ao universal natural é rejeitada por despojá-la de sua realidade efetiva e singularidade.
Crítica à majestade de Platão ser reduzida a conceitos abstratos.
Definição de que o existente é o ato de ser, não o universal mental.
Insucesso da quididade aviceniana em expressar o real da Ideia.
Sohravardi distingue as Ideias platônicas das formas imaginais, situando as primeiras no mundo da Inteligência como luzes nobres.
Formas imaginais — citadelas em suspenso — com função eschatológica.
Erro em identificar a alma com a Inteligência.
Ideias como fontes luminosas e senhores dos ícones — sâhib al-sanam.
As Ideias funcionam como anjos e centros geradores de emanação que operam a teurgia das espécies.
Natureza angélica das Ideias.
Cada corpo possui um anjo que constitui sua espécie.
Transformação do elo de participação em operação teúrgica.
A necessidade de um motor estável para o movimento natural conduz à dedução de substâncias inteligíveis separadas.
Natureza como princípio de mudança e renovação essencial — tajaddod.
Exigência de um constituinte — al-muqawwim — imaterial e estável.
Distinção entre a alma móvel e a substância separada principial.
A física do movimento justifica o existencial inteligível como fundamento de unidade para o substrato material.
União entre substância inteligível estável e substância material em renovação.
Unificação da natureza operada pela substância principial.
Essência da natureza derivada da atividade do inteligível.
O processo de conhecimento demonstra que o conceito universal exige um fundamento em uma singularidade inteligível.
Diferença entre o conceito mental — predicado — e a raiz singular da quididade.
Conversão do predicado lógico em sujeito substancial.
Necessidade de um modelo real — haqîqa — para a imitação psíquica.
A atividade das formas naturais em cada reino aponta para causas inteligíveis que unificam os múltiplos efeitos físicos.
Agente inteligível — fâ‘il ‘aqlî — como fundamento da forma natural.
Correspondência entre o indivíduo perfeito no mundo da instauração — ibdâ — e os indivíduos naturais.
Diferença de intensidade na substancialização entre o princípio e o derivado.
A adoção do modelo de Sohravardi permite visualizar as espécies como ícones derivados de senhores luminosos.
Passagem do indivíduo numérico — fard — para a singularidade — shakhs.
Espécie humana como ícone do Espírito de Santidade — rûh al-qods.
Terra sensível como reflexo da terra inteligível e receptáculo de irradiações.
O mundo inteligível contém arquétipos de todas as realidades sensíveis, incluindo céus, astros e sentidos superiores.
Presença de sensibilidade superior e sentidos espirituais no inteligível.
Significado esotérico das experiências visionárias proféticas.
Mundo imaginal como grau inferior do universo inteligível.
A estrutura do ser organiza-se em uma tripartição entre o inteligível, o imaginal e o corpóreo, integrada à hierarquia das luzes.
Homem inteligível como o esotérico do homem psíquico e corpóreo.
Correspondência entre ordens longitudinais — nomes divinos — e latitudinais — senhores das espécies.
Efusão da luz através de mediações hierarquizadas.
O gesto filosófico de Mollâ Sadrâ confere consistência aos inteligíveis ao transformá-los em entidades pessoais vivas.
Superação das quididades abstratas em favor de monadias de existência.
Conciliação entre Plotino e Sohravardi para fundamentar a ontologia islâmica.
Salvaguarda da filosofia da Identidade através de uma angelogia especulativa.
A fundamentação do xiismo especulativo une a sabedoria grega à tradição persa antiga sob o princípio da possibilidade pré-eminente.
Axioma do possível nobre que precede o possível inferior.
Identificação de realidades inteligíveis com anjos da tradição zoroastriana — Khordâd, Mordâd, Ordîbehesht.
Conciliação entre a Teologia de Aristóteles e a Sabedoria Oriental como superação do literalismo e do racionalismo.