A quinta prova, presente apenas na versão dos Asfâr, apoia-se na tese — atribuída a Fârâbî e retomada por
Avicena — de que as formas inteligíveis divinas pertencem à ciência de Deus, subsistindo pela própria ipseidade divina, o que leva Mollâ Sadrâ a afirmar que as Inteligências “surexistem pela própria surexistência” do princípio e que o evanescimento — fanâ' — é a efetivação da surexistência — baqâ'.
Fârâbî é o filósofo que formula a tese das formas inteligíveis como pertencentes à ciência divina
Avicena retoma essa tese, que Mollâ Sadrâ incorpora à quinta prova
As formas subsistem pela ipseidade de Deus sem que este seja seu substrato
Mollâ Sadrâ é constrangido a fazer das Inteligências concomitantes da essência divina — lawâzim dhâti-hi —, o que pareceria negar-lhes todo ato de ser autêntico
O argumento é invertido: as Inteligências “surexistem pela própria surexistência” do princípio
A citação central enuncia: “Assim fica demonstrado que o mundo da Inteligência e das formas divinas, de todas as Luzes separadas, se volta para Deus, desaparecendo de sua essência e surexistindo pela surexistência de Deus, e Deus é seu retorno assim como é sua origem”
O movimento ultra-substancial conduz todas as coisas a se esvanecerem em Deus — as finitudes a desaparecerem — para surexistirem nele
O fanâ' — o evanescimento — é a efetivação do baqâ' — a surexistência —, e o baqâ' é a condição ontológica do fanâ'