A tradição naqshbandi começa com Abu Yaqub Yusof
Hamadani (m. 534/1140), e seu sucessor Abd al-Xaleq al-Qojdavani (m. 617/1220) — originário da região de Boxara — enfatizou os exercícios espirituais interiorizados, os zekr, que permaneceram na cadeia dos naqshbandi, aos quais Baha'oddin Naqshband acrescentou três regras às oito originais.
Yad kard: rememorar o nome de Deus, oral e mentalmente, até alcançar a visão beatífica — Sa'doddin Kashqari descreveu o zekr com precisão: “No início o mestre deve dizer em seu coração La elaha ella'Llah Mohammad rasul-Allah. O discípulo deve preparar seu coração e colocá-lo face ao do mestre; fecha os olhos, fecha a boca, cola a língua ao palato, aperta os dentes, retém o sopro e se põe a pronunciar o zekr inclinando-se e com todas as suas forças, com o acordo do mestre. Dirá com o coração, não com a língua.”
Baz gasht (retorno): cada vez que o praticante do zekr pronuncia a fórmula sagrada “Não há deus senão Deus, Mohammad é seu Profeta”, deve acrescentar com o mesmo sopro: “Senhor, é a Ti que aspiro e à Tua satisfação” — evitando assim pensamentos intempestivos.
Negah dasht: atenção trazida à consciência — num mesmo sopro o sufi deve dizer a fórmula sagrada de profissão de fé sem que seu espírito dela se afaste; Sa'doddin Kashqari acrescentava que era preciso esforçar-se durante uma ou duas horas para fixar a atenção e eliminar os pensamentos subreptícios.
Yad dasht: fixação na memória da presença do Verdadeiro como um sabor que jamais falte à consciência.
Hush dar dam (consciência no sopro): cada expiração deve ser feita com uma consciência presente e sem negligência da atenção — Baha'oddin disse: “A base exterior desta Via mística é o sopro.”
Safar dar vatan: a viagem em direção à pátria verdadeira — os atributos humanos devem ser abandonados em favor dos atributos angélicos.
Nazar bar qadam (olhar voltado para o passo): onde quer que esteja, na cidade ou na planície desértica, o peregrino deve estar atento ao seu passo, ao lugar de onde vem e ao lugar para onde vai, sem deixar a mente se extraviar.
Xalvat dar anjoman (isolamento em sociedade): segundo a expressão de Baha'oddin, estar exteriormente com a sociedade dos homens, mas interiormente, espiritualmente, na intimidade e no recolhimento com o Verdadeiro — há complementaridade entre o retiro e a participação na vida social coletiva.
Voquf-e zamani: “pausa temporal” consistindo em fazer o balanço das ocupações — se boas, render graças; se más, pedir perdão.
Voquf-e adadi: fazer o balanço numérico das rememorações do coração, levando em consideração os pensamentos errantes.
Voquf-e qalbi: representar o próprio coração com o Nome de Deus gravado nele, para enfatizar que o coração não tem outro objetivo senão Deus.