KHAYYAM

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Mais conhecido em sua época, e por um longo período após sua morte, como sábio e filósofo, discípulo de Avicena, do que como poeta, Omar Khayyâm destacou-se na corte do seljúcida Malekshah (1072-1092). Matemático e astrônomo, ele deixou um famoso tratado de álgebra (em árabe) e colaborou na reforma do calendário iraniano. Atribui-se a ele também um Nowrouznâmè (em persa), tratado dedicado às cerimônias que tradicionalmente marcavam o ano novo iraniano (21 de março).

Nascido em Nichâpur, Omar Khayyâm também está enterrado lá; sua morte ocorreu em 1132.

Só muito mais tarde é que sua reputação poética se consolidou. A composição dos quadras de que é autor constituía, sem dúvida, para ele apenas um passatempo à margem dos estudos aos quais dedicava a maior parte de sua atividade. Além disso, esses poemas, nos quais se afirmam um pessimismo e um ceticismo tão pouco compatíveis com as ideias estabelecidas do Islã, eram pouco aceitáveis e foram transmitidos por muito tempo de forma clandestina, o que, aliás, não impediu uma popularidade tal que se atribuiu a Khayyâm uma enorme quantidade de robâ’is de inspiração variada e de valor muito desigual.

A consagração definitiva do poeta só ocorreu no século XIX, com a brilhante adaptação de sua obra por Edward Fitzgerald. Desde então, as obras sobre Khayyâm multiplicaram-se infinitamente, tanto em línguas estrangeiras quanto em persa, tornando-o, em todo o mundo, um dos poetas mais populares e, de qualquer forma, o poeta iraniano mais famoso. Por mais estranho que possa parecer, foi somente nos últimos anos que uma crítica rigorosa dos textos permitiu delinear, ainda que de forma bastante aproximada, o contorno da obra. Esta define-se suficientemente por si mesma para que pareça desnecessário sobrecarregar esta nota tentando comentar seu espírito.