Antologia persa (séculos XI-XIX). Henri Massé. Payot, Paris, 1950
Nascido em 1003 na região de Balkh, adquiriu rapidamente vastos conhecimentos e tornou-se funcionário público. Em 1045, após um sonho, abandonou a vida mundana, realizou a peregrinação a Meca e, em seguida, dirigiu-se ao Egito, onde reinava a dinastia dos fatímidas, que havia imposto as doutrinas do ismaelismo. Nacir, convertido a essa forma extrema do xiismo, foi encarregado de difundí-la em seu país — o que fez com ardor; perseguido pela polícia dos sultões seljúcidas ortodoxos, refugiou-se nas montanhas da região de Badakhchân, onde compôs suas obras mais importantes antes de lá falecer (por volta de 1060); a seita que ali fundou ainda conta com adeptos.
Ele é o poeta-filósofo do Irã. De suas numerosas obras, aquelas que chegaram até nós parecem frequentemente truncadas ou alteradas. Em seus poemas líricos e em seus dois poemas didáticos: Rouchanâi-nâmè (Livro das Claridades) e Saâdat-nâmè (Livro da Felicidade), a forma e a expressão às vezes deixam a desejar, mas a abundância e a profundidade das ideias merecem um estudo atento. O mesmo se aplica aos seus tratados em prosa: Zâd-ol-mosâfirîn (O viático dos viajantes), uma enciclopédia filosófica; Wadjh-è dîn (A essência da doutrina), uma introdução ao ismaelismo. Sua obra mais conhecida é o Safar-nâmè (Relato de viagem), rico em informações valiosas, redigido em um estilo simples.