A aritmologia muçulmana, nascida em Kufa, produziu uma obra muito original que influenciou a evolução do pensamento matemático — diferindo essencialmente da aritmologia grega em seu método.
Em grego como em árabe, os algarismos eram anotados inicialmente por letras; a aritmologia grega se libertou da ambiguidade dessa notação projetando os números no espaço geométrico em grupos pontuais — números triangulares, quadrados, pentagonais
A aritmologia muçulmana tentou elucidar essa ambiguidade projetando os números no tempo descontínuo: experimentando, por analogia com as conjunções astrais, as propriedades específicas de certos números — para regular a vida litúrgica e mesmo desencadear séries de eventos, combinações alquímicas, catástrofes sociais, transmigrações psíquicas
Esse trabalho de pensamento eminentemente semítico se ligava às computações messiânicas e às apocalipses numeradas de Israel, e influenciou, junto com o Sefer Yetsira, a formação da cabala
O islã prefere o número 4 — o do equilíbrio natural e da justiça — e sobretudo o número 5, o pentagrama, dos cinco sentidos e do casamento: cinco são as horas e bases da oração, os bens para o dízimo, os elementos do hajj, os gêneros de jejum, os motivos de ablução, as dispensas para a sexta-feira; é o quinto dos tesouros e do espólio; as cinco gerações para a vingança tribal, os cinco camelos para a diya, os cinco takbir para os mortos xiitas; os cinco testemunhos da Mubahala, as cinco chaves corânicas do mistério (VI, 59; XXXI, 34) e os cinco dedos da “mão de Fátima”
Os números preferidos de Israel são 10 — a tétractis — e sobretudo 12, o pental-fa; o número típico da Cristandade é 7 — o único número virginal na década, o do tempo crítico e do juramento, o da Cruz e das dores, dos pecados e dos dons, dos sacramentos e dos selos, dos órgãos internos e dos orifícios do crânio