MASSIGNON

ELMARSAFY, Ziad. Esoteric Islam in modern French thought: Massignon, Corbin, Jambet. London New York (N.Y.) Oxford: Bloomsbury Academic, 2021.

A centralidade do desejo na obra de Louis Massignon é afirmada a partir da identificação do desejo como um atributo absoluto e não contingente, que define a própria essência divina e a relação do místico com Deus.

** A figura central de al-Hallaj e sua influência sobre Massignon ** O místico muçulmano al-Hallaj, executado no século X, é apresentado como o centro do universo intelectual e espiritual de Massignon, a ponto de ser difícil separar um do outro.

** Experiências fundadoras na vida inicial de Massignon ** A juventude e as primeiras viagens de Massignon, particularmente seu mergulho na língua e cultura árabe no Egito e no Iraque, estabeleceram os fundamentos para seus conceitos centrais de hospitalidade e abandono de si.

** A verdade criadora e a natureza performática da linguagem ** A verdade divina é compreendida como a própria capacidade criadora de Deus (“Veritas Creatrix”), uma noção que, quando internalizada pelo asceta, o torna incapaz de não se expressar e de não testemunhar.

** Desejo como alfa e ômega da existência ** O desejo (“‘ishq”) não é apenas um mecanismo central na relação do Islã com Deus, mas é identificado como o próprio ser de Deus, sendo o começo e o fim da criação, uma visão que coloca al-Hallaj em oposição direta aos teólogos de sua época.

** A hospitalidade e a língua árabe como estruturas de acesso ao outro ** A língua árabe, com sua estrutura de raízes triliterais e involução (“tadmin”), é apresentada como um meio privilegiado para a verdade (“al-Haqq”) precisamente por evocar constantemente a ausência e inacessibilidade de Deus, exigindo uma completa descentração do sujeito.

** Hospitalidade, testemunho e ação política contra o colonialismo ** A conexão entre hospitalidade, verdade (“Satyagraha”) e ação política é desenvolvida através da leitura de Gandhi, fornecendo a base para uma posição anticolonial que rejeita tanto o comunismo materialista quanto o capitalismo em favor de uma abertura ao sagrado.

** A dimensão feminina da hospitalidade e a defesa da Terra Santa ** A hospitalidade está intrinsecamente ligada ao feminino, exemplificado por Maria e Fátima, e à recusa da partilha violenta da Terra Santa, que deveria ser um “jardim de infância da humanidade reconciliada” regido pelo direito universal de asilo.

** Conclusão sobre a não conversão e a preservação das diferenças ** Apesar de sua profunda imersão no Islã, Massignon não se converteu a ele porque sua doutrina da Verdade era fundamentalmente cristã, e sua hospitalidade do desejo depende da manutenção das diferenças em um “mosaico” de humanidade reconciliada.