CARTA

Na pequena cidade de Akshéhir, onde mora, Nasr Eddin é considerado muito culto.

Um dia, uma camponesa idosa o procurou com uma carta na mão. Era a primeira vez que ela recebia uma carta e não sabia ler.

- Nasr Eddin, por favor, leia esta carta para mim. Espero que ela não me traga más notícias!

Nasr Eddin pega a carta e a examina. Ao ler, seu rosto escureceu e, de repente, ele começou a chorar, para grande emoção da camponesa.

- Ó Nasr Eddin, não me faça definhar por mais tempo. Eu perdi minha irmã Aisha, não foi?

Mas Nasr Eddin continuou lendo sem responder e, pouco a pouco, as lágrimas deram lugar a um sorriso cada vez mais aberto, que, na segunda página, se transformou em uma explosão de riso, uma gargalhada irreprimível que sacudiu até mesmo seu turbante.

A velha não aguenta mais:

- Nasr Eddin, você será a minha morte! Primeiro você chora, depois você ri. Tenha piedade de mim!

- Ah, minha boa velhinha“, Nasr Eddin finalmente conseguiu dizer, “não se preocupe. Se estou chorando, é simplesmente porque você não sabe ler.

- Então, por que está rindo?

- Porque eu também não sei ler.