As tendências ascéticas e quietistas do sufismo estavam em harmonia com a teoria cristã e dela extraíram sustento.
Numerosos textos evangélicos e ditos apócrifos de Jesus são citados nas mais antigas biografias sufis
O eremita cristão — rahib — aparece frequentemente no papel de mestre que instrui e aconselha ascetas muçulmanos errantes
A veste de lã, da qual deriva o nome sufi, é de origem cristã
Votos de silêncio, ladainhas — dhikr — e outras práticas ascéticas podem ser rastreadas até a mesma fonte
Quanto à doutrina do amor divino, os seguintes extratos falam por si mesmos:
Jesus passou por três homens de corpos magros e rostos pálidos e perguntou o que os havia reduzido àquele estado; eles responderam que era o temor do fogo; Jesus disse que temiam algo criado, e que cabe a Deus salvar os que temem
Depois passou por outros três, ainda mais pálidos e magros, que responderam que era o anseio pelo paraíso; Jesus disse que desejavam algo criado, e que cabe a Deus dar-lhes o que esperam
Por fim passou por outros três de extrema palidez e magreza, cujos rostos eram como espelhos de luz; quando perguntados, responderam que era o amor de Deus; Jesus disse: vós sois os mais próximos dEle, vós sois os mais próximos dEle
O místico sírio Ahmad ibn al-Hawari perguntou a um eremita cristão qual era o mandamento mais forte encontrado nas Escrituras; o eremita respondeu: não encontramos nenhum mais forte do que este: ama teu Criador com todo o teu poder e força
Outro eremita, interrogado por ascetas muçulmanos sobre quando o homem é mais perseverante na devoção, respondeu: quando o amor toma posse de seu coração, pois então ele não tem alegria nem prazer senão na devoção contínua