No início do terceiro século da Hégira — o nono depois de Cristo — manifestam-se sinais evidentes de um novo fermento agindo dentro do sufismo.
Os sufis passaram a considerar o ascetismo apenas como o primeiro estágio de uma longa jornada — o treinamento preliminar para uma vida espiritual mais ampla
Entre as sentenças transmitidas pelos místicos desse período figuram as seguintes:
O amor não se aprende dos homens: é um dos dons de Deus e vem de Sua graça
Ninguém se abstém das concupiscências deste mundo senão aquele em cujo coração há uma luz que o mantém sempre ocupado com o mundo seguinte
Quando o olho espiritual do gnóstico se abre, seu olho corporal se fecha: ele não vê nada além de Deus
Se o conhecimento gnóstico tomasse forma visível, todos que o contemplassem morreriam diante da beleza, da bondade e da graça desse espetáculo, e todo brilho se tornaria sombra diante de seu esplendor — e aqui cabe comparação com Platão no Fedro: a sabedoria teria sido algo de arrebatador se houvesse dela uma imagem visível, pois a visão é o mais agudo dos sentidos corporais, ainda que não seja por ela que a sabedoria é percebida
O conhecimento gnóstico está mais próximo do silêncio do que da palavra
Quando o coração chora porque perdeu, o espírito ri porque encontrou
Nada vê a Deus e morre, assim como nada vê a Deus e vive, porque Sua vida é eterna: quem quer que a veja é por isso tornado eterno
Ó Deus, nunca ouço o clamor dos animais, nem o frêmito das árvores, nem o murmúrio da água, nem o canto dos pássaros, nem o vento sussurrante, nem o trovão estrondoso sem sentir neles uma evidência de Tua unidade e uma prova de que nada se assemelha a Ti
Ó meu Deus, invoco-Te em público como se invocam os senhores, mas em privado como se invocam os amados. Em público digo: Ó meu Deus! Mas em privado digo: Ó meu Amado!