REALIDADE E GRADAÇÃO DO SER

MEISAMI, Sayeh. Mulla Sadra. London: Oneworld, 2013.

Ser e Quididade

Os primeiros filósofos peripatéticos islâmicos precisaram reformular as categorias aristotélicas para acomodar a crença em Deus como Ser Transcendente que não pode ser subsumido sob nenhuma categoria — introduzindo a distinção entre o ser necessário (wajib al-wujud) e os seres contingentes.

O Fundamento da Realidade

A questão sobre qual dos dois — ser ou quididade — constitui o fundamento da realidade levou à formação de duas escolas rivais, cuja distinção foi sistematizada por Mir Damad, fundador da Escola de Isfahan, que defendeu a realidade da quididade e, seguindo Suhrawardi, declarou que o ser é uma construção mental.

A Quididade É uma Ilusão?

Sadra enfrenta o problema da ascriação do ser à quididade, aparentemente contraditório com a “regra da existência secundária” — segundo a qual B não pode ser predicado de A a menos que A já exista — e resolve-o afirmando que as essências não são senão reflexos dos seres na mente, isto é, delimitações da realidade una.

Diversidade na Unidade

A ideia de gradação (tashkik) foi introduzida por Suhrawardi no domínio da quididade aplicada à luz como realidade primária do cosmos, violando o princípio peripatético que admitia gradação apenas nos acidentes, não nas substâncias.

Unidade na Diversidade

A concepção sadriana de causalidade, no nível cósmico da relação do mundo com o Criador, constitui a última peça do quebra-cabeça ontológico, pois a tese da diversidade na unidade não pode ser plenamente apreciada sem compreender o estatuto de todas as coisas como relativas àquele Ser que existe por direito próprio.