MULLA SADRA

MEISAMI, Sayeh. Mulla Sadra. London: Oneworld, 2013.

Mulla Sadra iniciou sua carreira intelectual quando a filosofia islâmica no Irã já havia passado por seu apogeu com grandes filósofos como Farabi, Ibn Sina e Suhrawardi, e o período intermediário entre Suhrawardi e Sadra foi marcado sobretudo por comentários, apologias e tentativas de síntese entre filosofia, teologia e misticismo.

A filosofia transcendental de Mulla Sadra pertence à categoria mais ampla da filosofia mística, caracterizada por uma metodologia sintética que combina gnose e lógica, recorrendo também ao Alcorão e ao Hadith — e seu desenvolvimento pleno coincidiu com a transformação do Irã em país xiita na era Safávida.

Embora Sadra seja mais conhecido no mundo xiita, sua obra atraiu também estudiosos sunitas, e o que o torna tão interessante a tão variada gama de pensadores é a abrangência de seu sistema.

Vida e Obras

Muhammad ibn Ibrahim ibn Yahya al-Qawami al-Shirazi, comumente conhecido como Mulla Sadra, viveu no Irã durante o apogeu da dinastia Safávida sob Shah Abbas I (m. 1039/1629), nascendo em Shiraz em 979/1572 em família influente, sem que se disponha de relato biográfico detalhado.

Grande parte do conhecimento de Mulla Sadra, tanto nas ciências racionais quanto nas reveladas, provém de sua formação em Isfahan, sob orientação de Mir Muhammad Baqir Astarabadi, conhecido como Mir Damad (m. 1040/1631), o mais célebre filósofo da época.

Após retornar a Shiraz por volta de 1010/1601, provavelmente em decorrência da morte do pai, Sadra encontrou o clima intelectual local muito hostil, sendo eventualmente forçado a retirar-se para a pequena aldeia de Kahak, próxima a Qom, onde viveu em contemplação por cinco anos ou mais.

Três pensadores influenciaram Mulla Sadra mais do que quaisquer outros: Ibn Sina, Suhrawardi e, sobretudo, o místico andaluz Ibn Arabi.

Mulla Sadra escreveu mais de cinquenta livros e tratados sobre tópicos variados, classificáveis sob dois títulos principais: ciências racionais e ciências religiosas.

Mulla Sadra e a Escola de Isfahan

As tentativas de recorrer à razão humana e à lógica aristotélica para compreender temas religiosos têm longa história de suspeita, e os esforços racionalistas — dos teólogos mutazilitas aos filósofos das eras de ouro da civilização islâmica — foram regularmente criticados.

Filosofia Transcendental

A filosofia transcendental de Sadra, embora o termo seja usado por ele apenas no título de sua obra maior, designa um sistema construído para provar que o mundo existe como relação com Deus — ser não é apenas receber existência do Criador, mas ser manifestação de Seu Ser, fora do qual há apenas o nada.