A água, em todas as suas formas, é um símbolo central na poesia de
Rumi para representar a graça divina ou a própria essência divina, inspirando-se na afirmação corânica de que tudo é feito vivo a partir da água.
A água criada lembra o poeta da água da vida, da água da graça e de coisas vivificantes enviadas do céu, como a chuva, para refrescar o mundo.
O chamado da água é comparado ao chamado de Israfil que vivifica os mortos, a um dervixe nos dias da esmola religiosa, ao som da liberdade para um prisioneiro, ao sopro do Misericordioso que alcançou o Profeta vindo do Iêmen, ou ao perfume da camisa de José que curou a cegueira de Jacó.
O principal objetivo da água é limpar o sujo; a chuva é enviada para purificar o homem. Se o sujo hesitar em entrar na água com medo de poluí-la, a água o chamará de volta e prometerá ajuda, pois apenas a vergonha impede a fé.
Deus é o oceano ilimitado da graça no qual todo aquele que se atreve a entrar será purificado e santificado; a água precisa dos sujos para mostrar sua bondade.
A água do Nilo tornou-se sangue para os egípcios infiéis, mas foi útil para os israelitas; Deus Se revelou aos fiéis em Sua graça como água da vida, e aos infiéis e hipócritas em Sua ira como veneno, perigo e morte.
Há pessoas que nem sequer estão cientes da existência de água doce, vivendo em lugares com água salobra; assim, as pessoas presas a este mundo nunca entenderão a doçura da experiência mística.
O oceano é um lar para o pato, mas a morte para o corvo.