ETAPAS DO CONHECIMENTO

Vitray-Meyerovitch, MPI

Djalal-ud-Din Rumi concebia essencialmente seu papel como o de um despertador das almas adormecidas, sendo a primeira etapa na via que leva ao conhecimento ser arrancado do sono do esquecimento.

A alma que desperta começa então a ver-se tal como é, espiritual e moralmente cegada, e essa tomada de consciência é o primeiro passo para a libertação do fardo depositado nela por Deus.

Quando Platão fala das ciências despertadoras do pensamento, ele lembra a necessidade de uma propedêutica do conhecimento, cujo grau mais elevado é a contemplação, tratando-se de uma ascensão que se faz por etapas ou degraus.

O simbolismo do introrsum ascendere não deve fazer cair na armadilha de um pensamento espacializante, pois não se compara à ascensão de um homem para a lua, mas à ascensão da cana-de-açúcar até o açúcar ou de um embrião até a razão.

Os diferentes modos de conhecimento porão em obra ora a razão discursiva, ora a intuição intelectual, ora o olho espiritual, o órgão próprio da visão.

Essa transmutação, descrita em termos de alquimia, se traduz pelo aumento da certeza subjetiva, prova do encontro do espírito e de seu objeto.

Existe uma tradição segundo a qual o Profeta, na noite da Ascensão, recebeu três espécies de conhecimento: a religião exotérica, que recebeu a ordem de transmitir a seu povo; a doutrina espiritual, sobre a qual foi deixado livre para transmitir ou não; e os mistérios da Divindade, sobre os quais lhe foi proibido divulgar.

Toda a teoria do conhecimento de Rumi repousa na superioridade da sabedoria esotérica sobre a ciência discursiva, e essa gnose representa em relação a tudo o que a precedeu uma verdadeira ruptura de nível.