VACUIDADE

Vitray-Meyerovitch, MPI

A purificação intelectual e a vacância do espírito

Tudo o que não é Deus sendo fenomenal (muhdath), o ser fenomenal não pode retornar à sua fonte e seu fim enquanto nele permanecer algo dessa individuação (ta’-ayyun) que o separa, pois um hadith afirma: “Tua existência (wudjuduka) é um pecado ao qual nenhum outro é comparável.”

O espelho vazio e a parábola dos pintores chineses e gregos

O desapego das imagens, dos pensamentos, de todo vínculo exterior, anda junto com o calma da alma, e a apatia do sábio — o tafrîgh do Sufismo — que lhe permite apreender a Realidade “de forma impessoal e imediata”, foi comparada pela maioria das tradições à propriedade que o espelho possui de refletir fielmente os objetos sem ser tocado por eles.

A cor como limitação e a ausência de cor como unidade

No linguajar dos Sufis, a “cor” representa a objetivação, a existência aparente, o fenômeno, por oposição à existência absoluta e incondicionada, sendo a oposição entre a variação dos fenômenos e a brancura, ou luz, da Realidade constante em Rumi.

A transparência e o homem perfeito

Dado que as coisas são tornadas manifestas pelo que lhes é oposto, Deus, que não tem oposto, está oculto; Deus e o mundo estão em relação um com o outro como o aspecto interior (bâtin) e exterior (zahir) do Ser, e o Kashf-ul Mahdjub afirma que o Divino é velado pelo humano, e esse véu só é abolido passando pelos “estados” e “etapas” da Via mística, sendo a pureza (safâ) o nome dado a essa aniquilação.