Por toda uma tradição, colocar es meson significa colocar em comum, e o valor do centro emerge com extrema clareza através das formas institucionais que operam tanto na entrega dos prêmios quanto na divisão do espólio — o centro é ao mesmo tempo o que é comum e o que é público.
Heródoto escreve que se todos os homens trouxessem ao meio seus males pessoais para trocá-los com os dos vizinhos, cada um, após examinar bem os males alheios, retomaria com alegria o que havia trazido
Recorre sempre a mesma expressão es meson, tanto quando se trata de deixar bens indivisos quanto de recolocá-los em comum para proceder a uma nova divisão
Nas assembleias militares, o uso da palavra obedece a regras definidas que conferem às deliberações da Ilíada uma forma institucional muito marcada — tomar a palavra implica dois comportamentos gestuais: avançar para o meio e agarrar o cetro na mão
Quando Ideo, o arauto dos troianos, encontra os dânaos reunidos em assembleia, toma a palavra apenas após ter-se detido no meio deles; quando retorna a Ílion, transmite sua mensagem avançando no meio dos troianos e dardânios reunidos
Quando Telêmaco toma a palavra na assembleia, a mesma fórmula se repete — fica de pé no meio da Ágora
As afinidades entre o cetro e o ponto central são essenciais — o cetro simboliza a soberania impessoal do grupo, e falar ao centro nas assembleias militares significa falar dos assuntos comuns, sobretudo dos assuntos militares
Publicidade e coletivização são os aspectos complementares da centralidade — nos jogos, na divisão do espólio e na assembleia, o centro é sempre ao mesmo tempo o que está submetido ao olhar de todos e o que pertence a todos em comum