Na Índia, o problema homólogo recebeu uma solução plausível a partir de 1947, graças à riqueza de documentos e à boa informação sobre a organização social e a classe dos sacerdotes.
M. Stig Wikander constatou que o grupo central dos “bons heróis” do Mahabharata, os cinco irmãos Pândava, reproduziam o grupo hierarquizado dos deuses das três funções na mitologia védica mais arcaica.
O rei justo Yudhishthira é calcado em Mitra (rejuvenescido em Dharma).
As duas variedades de guerreiros, Bhima e Arjuna, são calcadas em Vayu e Indra.
Os dois gêmeos Nakula e Sahadeva, servidores devotados e habilidosos veterinários, são calcados nos dois gêmeos Nasatya.
O modo de interpretação descoberto foi estendido à maioria dos personagens importantes do poema e ao seu próprio assunto.
Toda uma mitologia arcaica, mais arcaica em vários pontos que a mitologia védica, foi transposta em personagens e ações épicas.
A amplitude, exatidão e engenhosidade da transposição atestam uma vontade de “autor”.
Uma academia de sacerdotes sábios e talentosos, talvez por várias gerações em uma mesma “escola”, realizou essa imensa tapeçaria sobre o esboço desenhado por um homem ou grupo verdadeiramente genial.
Isso ocorreu muito antigamente, antes da escrita, no tempo dos quatro Vedas e do quinto.
Ignora-se o estado civil verdadeiro do indivíduo ou da equipe coberta pelo nome fabuloso de Vyasa.