A tese de Patrice Cambronne, Pesquisa sobre as estruturas do imaginário nas Confissões de santo
Agostinho — dirigida por André Mandouze e defendida na Sorbonne em junho de 1979, com júri completado por Alain Michel, Paul Ricœur, J. Fontaine —, monumental e exaustiva em 1200 páginas em quatro tomos, revelou uma continuidade mitoanalítica entre o livro I e o livro XIII das Confissões: a famosa “conversão” não seria senão epifenomênica, confirmação pelo dualismo paulino do gnosticismo dualista de Manes; as metáforas obsedantes do bispo de Hipona animaram durante séculos a posteridade sócio-histórica do augustinismo — correntes ascéticas e heréticas dos séculos XIV e XV, Reforma, jansenismo, e, através deles, toda a mentalidade capitalista segundo Max Weber, e toda uma teologia contestatária cujos Schwärmer são o protótipo segundo Ernst Bloch