Jung escreveu na abertura de Wandlungen und Symbole der Libido (Símbolos da Transformação), publicado em 1912 e mantido intacto na revisão de 1952: “Quem puder ler A Interpretação dos Sonhos de
Freud… e deixar esse extraordinário livro agir sobre sua imaginação com calma e sem preconceitos, não deixará de ser profundamente impressionado no ponto em que
Freud nos lembra que um conflito individual… reside na raiz daquele monumental drama do mundo antigo, a lenda de Édipo… Subitamente vislumbramos a simplicidade e a grandeza da tragédia de Édipo… Essa ampliação de nossa visão tem algo de uma revelação… quando seguimos os caminhos traçados por
Freud… o abismo que separa nossa época da Antiguidade é transposto, e percebemos com assombro que Édipo ainda está vivo para nós… Essa verdade abre o caminho para uma compreensão do espírito clássico como nunca existiu antes… Ao penetrar nas passagens subterrâneas bloqueadas de nossa própria psique, apreendemos o sentido vivo da civilização clássica e, ao mesmo tempo… obtemos uma compreensão objetiva de [nossos próprios] fundamentos. Essa ao menos é a esperança que extraímos da redescoberta da imortalidade do problema de Édipo.”