Zoe raramente possui contornos, mas contrasta agudamente com thanatos — o que ressoa nela é “não-morte”, algo que não deixa sequer a morte se aproximar.
A possibilidade de equiparar psyche a zoe — a “alma” a “vida” — e de dizer psyche por zoe, como faz Homero, foi representada no Fédon de Platão como uma prova da imortalidade da alma.
Uma definição grega de zoe é chronos tou einai — “tempo do ser” — não no sentido de um tempo vazio no qual o ser vivo entra e permanece até morrer, mas como um ser contínuo enquadrado em um bios enquanto este dura — sendo então chamado de “zoe de bios” — ou do qual o bios é retirado como uma parte e atribuído a um ser ou outro, podendo a parte ser chamada de “bios de zoe.”
Plotino chamou zoe de “tempo da alma”, durante o qual a alma, no curso de suas reencarnações, avança de um bios a outro — o que lhe era possível dizer precisamente porque no grego as palavras zoe e bios, cada uma com sua própria ressonância, já estavam presentes.
Se se pode empregar uma imagem para a relação entre elas — relação formulada pela linguagem e não pela filosofia —, zoe é o fio no qual cada bios individual é enfiado como uma conta, e que, ao contrário do bios, só pode ser concebido como infinito.
Quem quisesse falar em grego de uma “vida futura” poderia dizer bios; quem, como Plutarco, desejasse exprimir pensamentos sobre a vida eterna de um deus ou proclamar uma “vida eterna” tinha de empregar zoe — como fizeram os cristãos com sua aionios zoe.