A matéria da obra é o princípio radical de tudo, mas é em particular o princípio ativo e formal do ouro — razão pela qual se torna ouro filosófico pelas operações da obra imitadas das da Natureza.
Essa matéria se forma nas entranhas da terra e aí é trazida pela água das chuvas impregnadas do Espírito universal difundido no ar, e esse espírito tira sua fecundidade das influências do Sol e da Lua, que por esse meio se tornam o pai e a mãe dessa matéria
A terra é a matriz onde essa semente é depositada, e se encontra por isso sua nutriz; o ouro que dela se forma é o Sol terrestre
Essa matéria ou sujeito da obra é composta de duas substâncias — uma fixa, outra volátil: a primeira ígnea e ativa, a segunda úmida e passiva —, às quais se deram os nomes de Céu e Terra, Saturno e Réia, Osíris e Ísis, Júpiter e Juno; e o princípio ígneo ou fogo da natureza nelas encerrado foi chamado Vulcano, Prometeu, Vesta etc.
Vulcano e Vesta — que é o fogo da parte úmida e volátil — são propriamente o pai e a mãe de Saturno, da mesma forma que o céu e a terra, pois esses nomes se dão não apenas à matéria ainda crua e indigesta tomada antes da preparação que lhe dá o artista de concerto com a Natureza, mas também durante a preparação e as operações que se seguem
Toda vez que essa matéria torna-se negra, ela é o Saturno filosófico, filho de Vulcano e Vesta; quando se torna cinza após o negro, é Júpiter; quando branca, é a Lua, Ísis, Diana; e quando chega ao vermelho, é Apolo, Febo, o Sol, Osíris
Júpiter é, portanto, filho de Saturno; Ísis e Osíris são filhos de Júpiter; mas como a cor cinza não é uma das principais da obra, a maioria dos filósofos não a menciona, e passando diretamente do negro ao branco, Ísis e Osíris se aproximam de Saturno e tornam-se naturalmente seus filhos primogênitos, conforme as inscrições apresentadas