Apuleio (Metamorfoses, l. 11) — está do mesmo sentimento que Macrobe e faz a seguinte descrição da deusa: “Uma cabeleira longa e bem provida caía em ondas sobre seu colo divino; ela tinha na cabeça uma coroa variada pela forma e pelas flores que a ornavam. No meio, na frente, aparecia uma espécie de globo, em forma quase de espelho, que lançava uma luz brilhante e argentina como a da Lua. À direita e à esquerda desse globo se elevavam duas víboras ondulantes, como para enquadrá-lo e sustentá-lo; e da base da coroa saíam espigas de trigo. Uma veste de linho fino a cobria inteiramente. Essa veste era tão fulgurante, ora por sua grande brancura, ora por seu amarelo açafroado, enfim por uma cor de fogo tão viva, que meus olhos ficavam deslumbrados. Uma simarra notável por sua grande negrura passava do ombro esquerdo abaixo do braço direito e flutuava em muitas dobras descendo até os pés; era bordeada de nós e flores variadas, e salpicada de estrelas em toda sua extensão. No meio dessas estrelas mostrava-se a Lua com raios semelhantes a chamas. Essa deusa tinha um sistro na mão direita, que pelo movimento que lhe dava produzia um som agudo mas muito agradável; da esquerda carregava um vaso de ouro cuja asa era formada por um áspide que erguia a cabeça com ar ameaçador; o calçado que cobria seus pés exalando ambrosia era feito de um tecido de folhas de palma vitoriosa. Essa grande deusa cuja doçura do hálito supera todos os perfumes da Arábia feliz, dignou-se falar-me nestes termos: Sou a Natureza, mãe das coisas, senhora dos elementos; o começo dos séculos, a Soberana dos Deuses, a Rainha dos manes, a primeira das naturezas celestes, a face uniforme dos Deuses e das Deusas: sou eu que governo a sublimidade luminosa dos céus, os ventos salutares dos mares, o silêncio lúgubre dos infernos. Minha divindade única é honrada por todo o Universo, mas sob diferentes formas, sob diversos nomes, e por diferentes cerimônias. Os frígios, os primeiros nascidos dos homens, chamam-me a Pessinontiana mãe dos Deuses; os atenienses, Minerva Cecropiana; os de Chipre, Vênus Páfia; os de Creta, Diana Dictina; os sicilianos que falam três línguas, Prosérpina Estigiana; os eleusinos, a antiga deusa Ceres; outros, Juno; outros, Belona; alguns, Hécate; outros, Ramnúsia. Mas os egípcios que estão instruídos da antiga doutrina honram-me com cerimônias que me são próprias e convenientes, e chamam-me pelo meu verdadeiro nome: a Rainha Ísis”