TORRANO, Jaa. O Sentido de Zeus. São Paulo: Iluminuras, 1996.
A descrição geral dessa ontologia torna-se possível como história da grande época em que o Deus Mundo interpela os mortais transeuntes do mundo, e os documentos mais eloquentes dessa história magnífica e divina em língua grega são os versos de
Homero e de
Hesíodo.
O mito das Musas e a Teogonia hesiódica mostram o devir dos Deuses — o genos dos Deuses — a desdobrar-se em quatro linhagens divinas, quatro fases e quatro zonas cósmicas definidas por quatro combates de Zeus, descrição que não deve afastar-se do grau de conhecimento correspondente à imagem, sob pena de romper a coerência e unidade totalizadoras inerentes ao mito.
A origem e a estrutura formal da tragédia oferecem os sinais mais visíveis da ontologia ínsita no mito do mundo, manifestos no sentido dionisíaco de Zeus como unidade fundamental dos quatro graus de ilatência, de essência, de existência e de ciência.
A História constitui-se como nova modalidade de discurso e de saber, como um contradom das Deusas Musas aos homens mortais, e na ambiguidade desse contradom revela-se mais uma vez a ambígua unidade do devir dos Deuses e do mito das Musas.
A descrição geral da ontologia ínsita no mito do mundo visa tanto o diálogo profícuo com a própria provisoriedade humana quanto o convívio feliz na proximidade dos Deuses imortais, e para esse duplo escopo se roga aos Imortais benévola acolhida às palavras e a claridade do raio cuja ilatência reside na transmutação ontológica de quem o contemple.
PRÓLOGO
I. A ONTOLOGIA ÍNSITA NO MITO DO MUNDO
II. O FALANTE MUNDO E SUAS FALAS
1. Posídon no Plano Terrestre
2. A Imitação Cultual
3. O Multivio e sua Inviabilidade
4. Mito e Imagem no Conhecimento dos Deuses
III. MITO E CULTO NA TRAGÉDIA
1. O Sentido Dionisíaco de Zeus
2. Deuses, Numes, Heróis e Homens
IV. A HISTÓRIA COMO ANTIDORO DO MITO
EPÍLOGO