O conceito de tabú designa qualquer ser, objeto, tempo ou ação carregado de poder, expressando separação e aviso de perigo diante da acumulação de força.
O termo tabú, oriundo do mesmo contexto cultural de mana, significa “separado” ou “tornado santo”, sendo a reação adequada manter distância e reconhecer a plenitude da potência.
Reis e estrangeiros são exemplos paradigmáticos de portadores de poder, cuja aproximação requer prudência; a saudação, a hospitalidade e a guerra são, por isso, atos religiosos de neutralização da potência alheia.
A sexualidade, enquanto manifestação intensa de poder, é cercada por restrições: a mulher é separada ritualmente, o contato durante a menstruação ou a gravidez é evitado, e certos dias são considerados demasiadamente sagrados para qualquer atividade.
O tabú pode ser decretado por autoridade espiritual, como nos casos polinésios ou indonésios, em que o sacerdote ou o mensageiro real proclama a suspensão da vida cotidiana.
O efeito do tabú é a interrupção intencional da atividade vital, como um tempo crítico de recolhimento em que toda ação é suspensa e a violação acarreta reação automática da potência, não punição deliberada.
Exemplos de reação automática incluem a morte de Uzza ao tocar a Arca da Aliança, ou o jovem atingido por raio ao trabalhar em dia santo — manifestações da “ira dinâmica” da força, não de juízo moral.
A eficácia do tabú é confirmada pela crença inabalável em sua potência: quem o viola sofre, independentemente da intenção, pois o mal é consequência automática do contato com o sagrado.