DISPOSITIVO

FJFI

O dispositivo do I Ching é inicialmente o mais simples, composto por dois tipos de traço (pleno e partido) que opõem os dois versantes das coisas: adro e avesso, luz e obscuridade, duro e maleável, masculino e feminino.

No estágio dos oito trigramas, a polaridade inicial se mantém claramente, não apenas por cada figura ter um parceiro oposto, mas também pela preservação da relação entre par e ímpar.

A repartição dos sessenta e quatro hexagramas por seus traços constitutivos yin ou yang mostra que o equilíbrio entre par e ímpar é plenamente respeitado, e o sistema permanece trabalhado de um extremo ao outro pela polaridade.

Enquanto a figura (hexagrama) é global e corresponde ao “ser determinado” das situações e dos existentes, o traço (yao) é o elemento “diferencial” e móvel, correspondendo à “amora” (estádio inicial) das ocasiões e situações.

As últimas peças do dispositivo são as “fórmulas” de comentário: o “julgamento” (tuan) sobre o conjunto da figura (rei Wen) e os comentários sobre cada traço individualmente (duque de Zhou).

O dispositivo completo se presta a dois usos complementares: a “contemplação” das figuras em repouso (estudo) e a “consulta” aos traços em movimento (ação).


O hexagrama se desdobra de baixo para cima, sendo decifrado progressivamente da base ao topo, com as posições (wei) distribuídas em três níveis: terra (posições 1-2), homem (posições 3-4) e céu (posições 5-6).

As posições que constituem o hexagrama reproduzem o mesmo relacionamento equilibrado do par e do ímpar: as posições ímpares (1,3,5) são yang e as pares (2,4,6) são yin.

O hexagrama não possui uma posição central única (entre terceiro e quarto traços), mas possui dois centros (segunda e quinta posições); essa aparente contradição é explicada pela paridade (ausência de centro) e imparidade (dois centros) da estrutura.

Todas as fases do processo do real são justificadas, e todas as posições ocupadas pelos traços do hexagrama são fundadas, inscrevendo-se numa mesma continuidade e participando da mesma lógica de conjunto.

A segunda e quarta posições (pares, yin) têm méritos opostos: o da quarta é a “apreensão” respeitosa por sua proximidade com a quinta (posição soberana); o da segunda é sua posição central no trigrama inferior sem rivalidade com a soberana.

Um hexagrama não pode ser considerado isoladamente, compreendendo-se por relação às transformações que o ligam a outros hexagramas.

Os princípios de leitura colaboram entre si mas não podem ser considerados regras fixas, pois a “via” do I Ching está em “frequente evolução” e não visa a propor uma ordem determinada de uma vez por todas.