INCITAÇÃO

FJPC

A interação por incitação entre existentes constitui o fundamento de toda realidade, sendo uma noção central na tradição chinesa.

Para que haja incitação, é necessária a diferença entre os existentes, e para que haja acordo, é necessário um fundamento comum.

Pelo fato da incitação, todo existente está em perpétua relação de interação com outros, tornando normal até mesmo a incitação do desejo.

Wang Fuzhi insiste em dois pontos para pensar o processo em função da relação de incitação: a inscrição originária da dualidade e a interdependência de seus aspectos.

A diferença é tanto originária quanto relativa, não existindo oposição absoluta e definitiva em nenhum nível do real.

A concepção de diferença originária e relativa evita uma leitura “dialética” ao estilo marxista, preservando o sentido de correlatividade da tradição chinesa.

A importância da correlatividade na elaboração do saber é essencial: nenhuma realidade é apreendida unilateralmente, mas através da análise das relações que a constituem.

A formulação “Um [aspecto] yin – um [aspecto] yang: tal é a realidade [Dao]” é interpretada por Wang Fuzhi de modo a evitar leituras taoizantes ou buddhisantes.