Paul Masson-Oursel (1882–1956)
Obras Monográficas Fundamentais (Edições Originais Francesas)
MASSON-OURSEL, Paul. La Philosophie comparée. Paris: Félix Alcan, 1923. (Bibliothèque de Philosophie Contemporaine).
MASSON-OURSEL, Paul. Esquisse d'une histoire de la philosophie indienne. Paris: Paul Geuthner, 1923.
MASSON-OURSEL, Paul; GRABOWSKA, Helena Willman; STERN, Philippe. L'Inde antique et la civilisation indienne. Paris: La Renaissance du Livre, 1933. (Collection L'Évolution de l'Humanité, v. 26).
MASSON-OURSEL, Paul. Études de logique comparée: I. La logique en Chine; II. La logique dans l'Inde. Paris: Félix Alcan, 1918. (Reunião de memórias publicadas na Revue Philosophique de la France et de l'Étranger).
MASSON-OURSEL, Paul. Le Yoga. Paris: Presses Universitaires de France, 1954. (Collection Que sais-je?, n. 643).
MASSON-OURSEL, Paul. La Pensée en Orient. Paris: Armand Colin, 1949.
Artigos, Ensaios e Comunicações de Referência
MASSON-OURSEL, Paul. Objet et méthode de la philosophie comparée. Revue de Métaphysique et de Morale, Paris, t. 19, n. 4, p. 541-548, 1911. (Artigo seminal fundador da disciplina).
MASSON-OURSEL, Paul. La notion d'intuition dans la pensée indienne. Revue Philosophique de la France et de l'Étranger, Paris, t. 129, p. 1-15, 1940.
MASSON-OURSEL, Paul. Le fait métaphysique: De l'expérience mystique à la logique pure. Journal de Psychologie Normale et Pathologique, Paris, v. 23, p. 77-89, 1926.
MASSON-OURSEL, Paul. La portée de la psychologie dans la doctrine du Sāṃkhya. Journal Asiatique, Paris, t. 211, p. 321-335, 1927.
Traduções Principais em Línguas Ibéricas e Inglesa
MASSON-OURSEL, Paul. Comparative Philosophy. Introduction by F. G. Crookshank. London: Kegan Paul, Trench, Trubner & Co.; New York: Harcourt, Brace & Co., 1926.
MASSON-OURSEL, Paul; GRABOWSKA, Helena Willman; STERN, Philippe. La India antigua y su civilización. Traducción de Juan Mascaró. Barcelona: Editorial Cervantes, 1935. (Reedição: México: UTEHA, 1957).
MASSON-OURSEL, Paul. El yoga. Traducción de Domingo Marrero. Buenos Aires: Editorial Sudamericana, 1957.
MASSON-OURSEL, Paul. Esquema de una historia de la filosofía india. Traducción de Emilio García. Madrid: Editorial Tecnos, 1968.
MASSON-OURSEL, Paul. A filosofia comparada. Tradução e notas de Luís Alberto Cabral. Lisboa: Edições 70, 1982.
Eixos da Contribuição de Paul Masson-Oursel
Fundação Metodológica da Filosofia Comparada: Discípulo de Sylvain Lévi e Lucien Lévy-Bruhl na Sorbonne e na *École Pratique des Hautes Études* (onde foi diretor de estudos de religiões da Índia), Masson-Oursel é unanimemente reconhecido como o pai fundador da disciplina da Filosofia Comparada no Ocidente. Em seu manifesto de 1911 e no tratado sistemático La Philosophie comparée (1923), refutou os métodos orientalistas meramente anedóticos, as analogias superficiais e a busca dogmática por influências históricas diretas. Estabeleceu que a comparação válida exige examinar a correlação estrita entre estruturas de pensamento dentro de seus respectivos sistemas históricos.
O Método da Proporcionalidade Analógica: Para evitar o etnocentrismo eurocêntrico (julgar a lógica indiana ou chinesa pelas categorias de
Aristóteles ou
Kant), formulou a regra de ouro da analogia proporcional: não se compara um conceito indiano $A$ diretamente com um conceito ocidental $B$, mas a relação que $A$ mantém com o sistema indiano $S_1$ com a relação que $B$ mantém com o sistema europeu $S_2$ ($A : S_1 :: B : S_2$). Essa metodologia rigorosa influenciou diretamente gerações posteriores de comparatistas, como Olivier Lacombe, Jacques Maritain e o próprio Raimon
Panikkar.
A Historicização Sem Concessões da Filosofia Indiana: Em Esquisse d'une histoire de la philosophie indienne, rompeu com a ilusão romântica de que a Índia possuía uma “alma oriental atemporal” imutável e desprovida de história crítica. Mostrou a evolução viva e o confronto dialético secular entre o materialismo (*Lokāyata*), as lógicas do *Nyāya*, o atomismo do *Vaiśeṣika*, o dualismo trágico do *Sāṃkhya*, o budismo e o monismo do *Advaita*, restituindo às escolas indianas sua plena condição de filosofias técnicas rigorosas.
A Fenomenologia do Yoga e a Psicologia Concreta: Em seus estudos sobre a psicologia indiana e no clássico opúsculo Le Yoga, analisou as disciplinas psicofisiológicas indianas não como misticismo vago ou magia, mas como uma tecnologia positiva e sistemática de descondicionamento da mente. Demonstrou que enquanto a Europa privilegiou a física e a exterioridade mecânica, o pensamento clássico indiano construiu uma “ciência do sujeito” e um empirismo interno voltados ao domínio dos mecanismos de representação e de intencionalidade.