Mística da iluminação

U. G. The Mystique of Enlightenment: The Radical Ideas of U.G.. Edited by Rodney Arms. Goa: Dinesh Vazirani, 1982.

As pessoas me chamam de “homem iluminado” — detesto esse termo —, mas não conseguem encontrar nenhuma outra palavra para descrever a maneira como eu funciono. Ao mesmo tempo, ressalto que não existe nada chamado iluminação. Digo isso porque, durante toda a minha vida, busquei e desejei ser um homem iluminado, e descobri que não existe nada chamado iluminação; portanto, a questão de saber se uma determinada pessoa é iluminada ou não nem se coloca. Não dou a mínima para um Buda do século VI a.C., muito menos para todos os outros que se dizem iluminados e estão entre nós. São um bando de exploradores, que se aproveitam da credulidade das pessoas. Não existe poder fora do homem. O homem criou Deus por medo. Portanto, o problema é o medo e não Deus.


Descobri por mim mesmo e sozinho que não há nenhum “eu” a ser realizado — essa é a compreensão de que estou falando. Ela chega como um golpe devastador. Atinge você como um raio. Você apostou tudo em uma única cartada, a autorrealização, e, no fim, de repente descobre que não há nenhum “eu” para descobrir, nenhum “eu” para realizar — e você diz a si mesmo: “O que diabos eu tenho feito a vida toda?!” Isso te abala profundamente.


Todo tipo de coisa aconteceu comigo — eu passei por isso, entende? A dor física era insuportável — é por isso que digo que você realmente não quer passar por isso. Gostaria de poder lhe dar um vislumbre disso, um gostinho — então você não iria querer nem chegar perto disso. O que você está buscando não existe; é um mito. Você não iria querer ter nada a ver com isso.