ISLAMISMO

MHFOT

Islã

A mensagem de Mohammad é orientada para o fim dos tempos, convertendo-se e submetendo-se a Deus na perspectiva do Juízo Final e do castigo dos infiéis, sendo o Dia da Ressurreição também o da Prestação de Contas, do Reunião, do Encontro com a Verdade, da Partilha e da Ameaça.

A provação no túmulo

A revelação corânica exclui qualquer estado intermediário entre a morte e a ressurreição, pois o homem depende inteiramente do poder criador de Deus para sua manifestação, subsistência e retorno, sendo que o morto é mergulhido num coma do qual só despertará no Dia do Julgamento.

A provação na sepultura, criação da religiosidade popular que corresponde à antropologia do duplo, coexiste na literatura de edificação com o tema da ascensão celeste da alma (nafs/ruh).

A noção de barzakh designa o mundo intermediário entre o aqui e o além, estendendo-se entre o cosmo visível dos sete céus e o outro mundo (paraíso e inferno), onde reinam outras condições de espaço e tempo.

A ressurreição, o paraíso e o inferno

A evocação do Dia da Ressurreição no Corão descreve o desdobramento dos céus, a fusão do sol, da lua e dos astros, o movimento das montanhas e a terra se abrindo para expulsar os mortos, tudo para sublinhar a solenidade do Juízo Final.

O paraí islâmico (Jardim do Éden, Jardim, ou parque de agrado) é apresentado como um domínio de prodigiosa imensidão, situado acima do sétimo céu, com cem andares separados por intervalos colossais.

O inferno (o Fogo ou Geena) é um outro universo de desmedida, situado sob a terra e coberto pelo oceano, compondo-se de sete fossas ou catacumbas cada vez mais profundas e setenta vezes mais ardentes que a precedente.

As evocações do além que associam o maravilhoso e o terrificante a notações materiais muito concretas sempre provocaram reações vivas, inclusive no próprio Islã, onde muitos teólogos (não apenas os racionalistas mo'tazilitas) contestaram essa interpretação literalista e poética.

A questão da eternidade do inferno é problemática no Islã, pois se numerosas passagens do Corão proclamam que os hóspedes da Geena lá permanecerão para sempre, outros comentaristas buscam reduzir o alcance desse princípio.