XIVAÍSMO DE CAXEMIRA – DELEITE

PEPIC

GOZO, DOR, DESLUMBRAMENTO

O gozo (bhoqa) é definido como a manifestação plena da própria essência, um re-apossamento infinito da natureza do Self, sendo a base para uma transfiguração espiritual que não exige desapego, mas sim uma degustação mais intensa.

O desprazer ou dor ocorre quando há fixação da consciência em objetos, impedindo sua reimersão na própria natureza, devido a seu engalfinhamento pré-empírico no corpo.

Abhinavagupta estabelece uma classificação hierárquica dos prazeres, onde o prazer é mais puro e durável quanto menor for o sentimento de dependência em relação ao objeto.

A “energia vital” (ojas) é o que confere vitalidade a todos os membros pelo canal do meio (madhyanāḍī), sendo a raiz comum da percepção informativa e da atividade voltada à satisfação das necessidades do corpo.

O prazer sexual é privilegiado na via da śakti, pois sua intensidade e obscuridade o tornam um suporte para as práticas yoguicas, sendo o sexo definido como “o que proporciona o repouso (no Self?) graças ao apaziguamento da agitação (mental)”.

A dor, mesmo em sua passividade aparente, envolve uma revolta da consciência que pode ser o ponto de partida de uma prática mística de desindividualização.

Plenitude do Eu (pūrṇāhamlā)

A expressão “plenitude do Eu” (pūrṇāhamlā) designa o ego empírico liberto dos kañcuka, identificado a Śiva e dotado da totalidade de seus poderes.

O adepto deve exercitar-se a vivenciar essa plenitude através de práticas yoguicas como as mudrā (atitudes simbólicas).