Maṇḍana discute longamente a natureza do desejo de libertação (mumukṣā), opondo-se à concepção negativa do Naiyāyika.
O Naiyāyika argumenta que, se o brahman tivesse a felicidade por essência, a conduta do buscador da libertação decorreria de um apego passional a essa felicidade, o que é fonte de transmigração.
Para o Naiyāyika, todo desejo é em si mesmo dor e ignorância.
O desejo é dor como sentimento de “falta”.
É ignorância na medida em que visa um prazer positivo ligado a um bem exterior, enquanto o prazer é apenas um alívio momentâneo da tensão dolorosa do desejo.
O desejo de libertação deve ser um “recuo horrorizado” (udvega) diante da dor do mundo, um sentimento não patológico.
Para Maṇḍana, existem prazeres que não são meros alívios, e o desejo pode não encontrar satisfação alguma.
O prazer é a realidade positiva que subjaz tanto ao desejo quanto à sua satisfação; a dor é sua diminuição ou eclipse momentâneo.
O desejo se torna um impasse por ser buscado nos objetos sensíveis exteriores, onde o prazer nunca está presente em estado puro.
A destruição da nescience assume a forma de uma reflexão sistemática (prasaṃkhyāna) que, eliminando todos os objetos “defeituosos”, deixa subsistir apenas o ātman-brahman como o único lugar possível da fruição sem mistura.
Maṇḍana reabilita os “instintos” do jīva, que convergem para a libertação, “fim supremo do homem”.
O saccidānanda simboliza o cumprimento simultâneo e a unidade última das três tendências fundamentais: perseverar no ser, estender o conhecimento, aprofundar a fruição.