Abhinavagupta comenta: “Após a apreensão do sentido literal de tais frases, produz-se imediatamente uma percepção mental, intuitiva, na qual se encontram eliminadas as distinções de tempo, etc., contidas nessas frases. Nessa percepção, o jovem veado, por exemplo, aparece desprovido de toda particularidade, e o ator que o representa e comunica o terror aos espectadores não é absolutamente real. Manifesta-se então o medo em si, um medo que não mais delimitam o tempo nem o espaço. Ele difere das impressões ordinárias de medo, do gênero: tenho medo ou meu inimigo, meu amigo, fulano tem medo — pois essas últimas abundam em obstáculos à fruição estética, pelo fato de comportarem necessariamente o aparecimento de novas reações de evitamento. Ao contrário, essa percepção não comporta obstáculos e penetra diretamente no coração. É o rasa do Terrível que dança, por assim dizer, diante de nossos olhos. Nesse medo em estado puro, o Si individual não é nem totalmente engolido, nem manifestado distintamente.”