SOLIPSISMO TRANSCENDENTAL

PEPIC

Sarvajñātman e o solipsismo transcendental

Sarvajñātman, autor do Saṅkṣepaśārīraka (SS), é herdeiro de Sureśvara, e sua obra revela o destino da lógica da ruptura em confronto com doutrinas mais positivas.

Sarvajñātman enumera sete variantes da doutrina da nesciência individual (jīvāśritāvidyāvāda), revelando uma efervescência especulativa.

A refutação de Sarvajñātman mostra a dialética aplicada também à segunda teoria.

Uma terceira teoria afirma que a nesciência se imiscui na realidade pura do brahman após assumir um condicionante adicional (o manas como causa interna).

A crítica de uma nesciência individual e psicológica não implica a adesão pura e simples de Sarvajñātman à tese da escola de Vivaraṇa.

Sarvajñātman busca restaurar o sentido original do eu não sei, evitando o dogmatismo (substituir brahman ao eu) e o psicologismo.

A análise de Sarvajñātman (SS, II, 208-211 e III, 13-15) conclui que apenas o brahman pode ser não-conhecedor, mas a qualidade de portador da inconhecência não pode ser reconhecida no que é constituído de inconhecência (jīva).

Sarvajñātman apreende a nesciência em estado nascente, situando-a na autoconsciência (consciência de si).

A posição de Sarvajñātman é intrinsecamente paradoxal: a auto-revelação do Ser implica a possibilidade de sua obscuridade, e a nesciência é uma nuance do próprio Ser, um seu modo de aparição.

Sarvajñātman fala da inconhecência (ajñāna) ora como matéria da Natureza (Sāṃkhya), ora como extravio no indivíduo, adotando uma linguagem realista ou idealista.

A teoria da libertação em Sarvajñātman é modelada sobre a de Sureśvara, resumindo a interpretação dialética do tat tvam asi.

Sarvajñātman não retoma os paradoxos de Sureśvara sobre o primado da audição (śravaṇa) da palavra sagrada, definindo a tríade śravaṇa-manana-nididhyāsana de forma aceitável até mesmo por Maṇḍana.

Enquanto Sureśvara não busca preencher a lacuna especulativa entre o antes e o depois da experiência libertadora, Sarvajñātman confere um estatuto filosófico ao não-libertado do ponto de vista do próprio libertado.

O ekajīvavāda (solipsismo transcendental) representa, para Sarvajñātman, o ponto de vista do mumukṣu (buscador da libertação) ideal.

O solipsismo é apenas a penúltima expressão da verdade, encontrando seu cumprimento no quietismo silencioso do libertado.

Sarvajñātman humaniza em certa medida a concepção do libertado em vida (jīvanmukti) herdada de Sureśvara.

Sarvajñātman adota um ponto de vista mais moderado que Sureśvara sobre o ascetismo, retomando a polêmica de Maṇḍana contra os Naiyāyika.

Sarvajñātman é antes um teórico da descontinuidade (enquanto Sureśvara era seu praticante), o que constitui sua força (elaborou o ekajīvavāda e o ajātivāda) e sua fraqueza (a descontinuidade teorizada restaura a continuidade).