Sureśvara distingue nos termos “tu” e “isso” um sentido corrente (primário) e um sentido contextual.
Sentido corrente de “tu”: “sujeito da dor”, “transmigrante”, “significante do ego”; sentido contextual: “Ser interior”, “interioridade”, “puro imediato”.
Sentido corrente de “isso”: “o que não é diretamente perceptível”, “não-ipseidade” (anātmatā); sentido contextual: “não-dualidade” (advitīyatā).
Os elementos empíricos de cada termo são incompatíveis com os elementos a priori do outro termo.
A atitude natural (nescience) privilegia os elementos empíricos (temporalidade do eu, velamento do brahman) e torna qualquer identificação absurda.
O tat tvam asi toma o contrapé da atitude natural.
A identificação ocorre pela eliminação, em cada termo, do elemento não desejado (empírico) pela consideração de seu antagonista (conceitual) no outro termo.
O resultado é a compatibilidade da pura interioridade e da pura não-dualidade.
A analogia com o ‘espaço da jarra’ e o ‘espaço cósmico’ mostra que se trata de identificação, não de qualificação recíproca.
A fronteira entre os dois espaços é excluída, abolindo as significações falsas e restaurando a indivisão original.
O tat tvam asi tem apenas a aparência de um juízo sintético; na realidade, é o lugar de um processo de restauração.
O sentido do enunciado (vākyārtha) não está “contido” nele, instaura-se além dele.
Os três tipos de relação mencionados correspondem a três momentos de uma dialética: identidade de referente (assimétrica), particularizado-particularizante (simétrica), designação indireta (abole a particularização, mantém a simetria, aponta para a Singularidade).