O Yoga-Vasishtha ensina um idealismo da percepção — o princípio do drishti-srishti-vada ou “doutrina do esse est percipi” — que se prolonga e se funda em um idealismo absoluto: “Assim como o futuro lótus está inteiramente contido em sua semente, assim o universo visível inteiro está contido no espírito — manas” — III, 3, 36.
Autores vedânticos como Citsukha e Prakashananda se inspirarão no Yoga-Vasishtha — ver, por exemplo, III, 114, 56; V, 77, 36; VIb, 25, 17; 73, 20.
Em termos absolutos, só existe o “espaço da pura consciência” — tchit-akasha; a um certo nível de experiência, porém, esse espaço parece se compartimentar, adquirindo uma estrutura granulada: assim surgem os “átomos de consciência” — tchit-anou — que constituem os sujeitos individuais e as coisas sensíveis.
O espírito individual e o universo visível não são concebíveis independentemente um do outro — longe de existirem primeiro cada um por si e depois entrarem em relação pela percepção, estão de antemão co-ordenados no interior da consciência absoluta — VIb, 38, 9.
A dualidade do espectador e do espetáculo não tem nada de absoluto: ela só se estabelece e se consolida na medida em que o espírito perde de vista seu próprio poder de projeção; ao recuperá-lo, a ilusão da dualidade se apaga imediatamente, “como os fantasmas se dissipam ao nascer do sol” — II, 18, 37.