A variedade fenomenal, longe de contradizer a identidade assim entendida, é apenas seu desdobramento, e longe de ser um obstáculo ao reconhecimento do Si, constitui um caminho genuíno — upaya — para a libertação.
Upaya: meio ou caminho para a libertação — a variedade fenomenal é reabilitada como via de recognição do Si
A variedade — citratva, vicitrata, vicitratva, vaicitrya — que é precisamente a unidade do um e dos muitos, é frequentemente comparada por
Utpaladeva e
Abhinavagupta à pintura — citra — objeto estético que une em si multiplicidade e unidade
Citra: pintura, variedade colorida — metáfora da variedade fenomenal como obra de arte da consciência livre
Yogaraja aponta que os termos que significam variedade são também sinônimos de ascarya — o surpreendente, o extraordinário, o maravilhoso — pois a liberdade da consciência é inseparavelmente bem-aventurança — ananda — o maravilhoso prazer de si mesma
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Ananda: bem-aventurança, alegria — dimensão essencial da consciência absoluta na Pratyabhijna, inseparável de sua liberdade e de sua atividade criativa
Aquele que contempla a variedade fenomenal como um esteta — sahrdaya — já está recuperando a identidade com o Si que nunca perdeu, porque sua admiração — camatkṛti, camatkara — já é a consciência, embora parcial e fugaz, do dinamismo infinito da consciência
Sahrdaya: o esteta, o “de coração aberto” — aquele capaz de apreciar a variedade fenomenal como expressão da liberdade do Si
Camatkara ou camatkṛti: admiração estética, deleite — a experiência do maravilhoso que é já uma forma de recognição do Si