A distinção radical entre individualidade factícia e identidade real — e o corolário de que tudo tem em última análise a essência do Si único e não é realmente distinto dele — levanta várias questões difíceis, a primeira das quais é como a consciência absoluta passa a aparecer como o que ela não é, como outra, se não há Outro para enganá-la ou mascarar sua verdadeira identidade.
Como ela pode se alienar tomando-se por um sujeito espacial e temporalmente limitado, se não há Outro para enganá-la?
Como é que, ao individualizar-se no sujeito empírico, apreende coisas e pessoas como existindo fora dela e independentemente dela, em uma relação de alteridade necessariamente artificial?
Se essa relação de alteridade é necessariamente fictícia, como explicar as relações intersubjetivas que estão na base da existência mundana — e como explicar a especificidade da experiência pela qual reconhecemos os outros não como um simples objeto no mundo, mas como outro sujeito, como um alter ego?
Mesmo que a alteridade apenas apareça, os filósofos da Pratyabhijna devem explicar essa aparência, sua gênese e seus mecanismos