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SABEDORIA DA ABERTURA NO VERBO DE SALIH

Fusus, RABW

A Triplicidade como Base do Processo Criativo

Neste capítulo, Ibn Arabi retoma o tema do número, preocupando-se agora com o processo pelo qual a unidade singular se projeta na multiplicidade.

  • A Unidade sozinha não é criativa, mas suficiente para si mesma, não necessitando de nada além de si para preservar sua integridade absoluta; o Um simplesmente é, não havendo nele implicação de devir ou desenvolvimento.
  • Na dualidade, se não há relação de trabalho entre as duas entidades, há meramente dois singulares em isolamento estéril e contraditório; se há relação, é o princípio conector que relaciona as duas entidades, reunindo suas qualidades separadas para formar uma terceira entidade, nascida, por assim dizer, de sua união.
  • Essa é a triplicidade familiar de conhecedor-conhecimento-conhecido, na qual o termo “conhecimento”, como relação, reúne a objetividade receptiva do conhecido e a subjetividade ativa do conhecedor para produzir o próprio princípio do conhecimento.
  • Embora não declarado especificamente aqui, é o próprio homem que é precisamente a terceira entidade relacional na dualidade Deus-Cosmo, sendo ao mesmo tempo o ponto de encontro do Céu e da Terra e também aquela entidade que simboliza sua união, potencialmente.

A Triplicidade Bipolar ou Dupla

Ibn Arabi descreve o conceito de triplicidade de maneira um tanto diferente, especificamente uma triplicidade bipolar ou dupla.

  • Do lado do polo divino, a triplicidade consiste na própria Essência singular, na Vontade ou impulso para a autoaleração, e no comando criativo verbal “Sê!”.
  • Do lado do polo cósmico, a triplicidade consiste na essência latente, na “audição” ou prontidão para ser criada, e no vir à existência em obediência ao comando criativo.
  • A triplicidade anterior é espelhada por esta última, formando juntas a triplicidade completa da própria Realidade, que consiste na Unicidade Essencial, no impulso para a bipolaridade e na experiência real da bipolaridade, que ela mesma está eternamente sendo resolvida de volta na Essência.
  • Ele está descrevendo em termos de triplicidade o processo in divinis que em outros lugares descreveu em termos do Sopro do Misericordioso, da Imaginação Criativa, do Espelho e da relação Luz-sombra.
  • A dificuldade de expressão adequada oculta o que é realmente uma tentativa de descrever uma bipolaridade dentro de uma bipolaridade maior: a bipolaridade criativa que cria a “alteridade” necessária para a autorrealização da possibilidade infinita eternamente inerente à unidade absoluta é, por assim dizer, um polo da polaridade Unicidade Essencial-bipolaridade, cujos dois elementos se relacionam e se unem para constituir a Realidade em Si mesma.

A Manifestação do Interior no Exterior

Ibn Arabi conclui o capítulo com uma discussão sobre a manifestação do interior no exterior, ilustrando-a a partir da descrição corânica dos efeitos sobre os justos e os pecadores da promessa do Paraíso e da ameaça do Inferno.

  • Busca-se vincular esta seção à primeira, apontando que esses efeitos ocorrem em três estágios.
  • Lembra-se ao leitor, mais uma vez, que a manifestação exterior da existência cósmica do homem deriva apenas de sua própria determinação interior e essencial pré-disposta.
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