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LE TCH’AN (ZEN). RACINES ET FLORAISONS. Paris: Les Deux Océans, 1985
Yuan-men pergunta: “Encontrei um indivíduo em busca da Via que não se aplicava inteiramente a ela, não respeitava os preceitos, não prestava atenção à dignidade de sua conduta, não convertia os seres e deixava-se viver. Qual pode ser sua intenção?
— Ele deseja eliminar todo espírito de diferenciação e aniquilar todas as visões falsas. Embora pareça deixar-se viver, não cessa de praticar interiormente.
— Se esse praticante concebeu uma visão tão pueril, como se pode dizer que é capaz de eliminar as visões falsas?
— Eliminai antes vossas próprias visões; por que refletir sobre aquelas produzidas pelos outros? É como se o peixe arrancado das profundezas do abismo se perguntasse se aquele que o capturou o odeia ou não!
— Mas tal indivíduo beneficia a si mesmo e prejudica os outros; como se pode dizer que ele é um homem do Grande Veículo?
— Se nenhuma noção se eleva em vós, nenhuma se eleva nele. Neste momento, o fato de refletirdes obscuramente sobre a produção de um outro faz surgir uma noção em vós, e não no outro.
— Se, em seu foro interior, ele penetra perfeitamente o princípio do Grande Veículo enquanto manifesta exteriormente uma conduta do Pequeno Veículo, que desvantagem isso representa para a doutrina?
— Eis que quereis a todo custo que um homem maduro brinque com jogos de criança. Que vantagem haveria para o princípio?
— Por quem pode ser conhecido e reconhecido um homem do Grande Veículo que eliminou toda noção?
— Aquele que realizou o despertar pode conhecê-lo; aquele que caminha pode reconhecê-lo.
— Tal homem do Grande Veículo pode também converter os seres?
— Já se viu o sol e a lua não brilharem, ou uma lâmpada erguida não iluminar?
— Que espécie de meio hábil utiliza ele?
— Ele é direto e nítido, sem nenhum meio hábil.
— Se não existe meio hábil, por que falar então de benefício para os outros?
— Quando as coisas chegam, dá-se-lhes um nome; quando as situações se apresentam, responde-se a elas. Não existe espírito para medir e compreender, não existe ocasião para prever.
— Ouvi dizer que o Tathagata meditou durante sete dias antes de expor os meios hábeis. Por que dizeis então que não existe espírito para medir e compreender?
— A realização de todos os Budas não pode ser conhecida pela contemplação, pela percepção ou pela avaliação cognitiva.
— Como pode um Buda mentir?
— Ele diz a verdade.
— Por que os sutras dizem que ele refletiu, enquanto agora dizeis que não refletiu?
— Trata-se de um meio hábil de conversão.
— De onde provêm todos os meios hábeis e todos os Budas?
— Todos os Budas são sem origem; são apenas produções do espírito. Embora se apresentem miríades de ocasiões para converter os seres, toda coisa, em sua verdadeira natureza, originariamente não possui nome.”
