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ILUMINAÇÃO

MWFZ

  • O objetivo búdico primordial consiste no conhecimento da Suprema e Perfeita Iluminação, identificada como liberação e nirvana.
    • Termos como alcançar ou conseguir são considerados apenas aproximações falaciosas.
  • A conceituação da iluminação como um objetivo exterior resulta em uma percepção distorcida pela natureza discriminatória da linguagem.
    • As palavras geram confusão ao tentarem delimitar uma realidade que, em última instância, é inefável.
    • Multiplicação de termos nos sutras para tornar a questão compreensível diante da limitação do discurso.
  • A liberação no budismo mahaiana provém da sabedoria transcendental denominada prajna, presente em todos os seres.
    • A ação da prajna permite o despertar do desejo de Iluminação, definido como bodhichittotpada.
  • A prajna caracteriza—se como uma faculdade paradoxal que é simultaneamente a sabedoria e a sua própria obra.
    • Identificação da prajna com os termos sambodhi, sarvajnata e nirvana.
    • A prajna é absoluta nas moradas do Ser e se desvanece no silêncio, revelando a unidade que o espírito costuma separar.
  • Atingir a Suprema e Perfeita Iluminação exige a transcendência das categorias de ser e não ser.
    • Compreensão de que as coisas são vazias, incriadas e não dualistas.
    • Conhecimento da verdade última, paramartha—satya, além do pensamento discriminatório.
    • Realização de atos maravilhosos e inconcebíveis de forma livre e gratuita, sem apego à utilidade.
  • O ideal do Bodisatva integra a iluminação ao conceito de amor universal.
    • O desejo de iluminação exige um coração benevolente e puro que abrange o universo inteiro.
    • Menção ao Dasha—bhumika sobre as virtudes singulares necessárias ao Bodisatva.
  • O Bodisatva movido pelo amor adquire capacidades extraordinárias para proteger o mundo e purificar o coração.
    • Obtenção dos dez poderes e do conhecimento onicompreensivo.
    • Percepção instantânea do passado, presente e futuro para girar a roda do Dharma.
    • Poder de sustentar e inspirar.
    • Poder de realizar milagres.
    • Poder de comando.
    • Poder de pronunciar os votos originais e adequar a vida a eles.
    • Poder de beneficência.
    • Poder de receber os bons protetores.
    • Poder da fé pura e do puro conhecimento.
    • Poder de chegar a uma fé infinitamente iluminadora.
    • Poder de purificar o pensamento bodisátvico.
    • Poder de caminhar com fervor com a onisciência e cumprir os votos originais.
  • Os adeptos do Zen reafirmam o ideal mahaiana através de votos monásticos fundamentais.
    • Faço o voto de ajudar todos os seres a realizar a travessia, embora seu número seja ilimitado.
    • Faço o voto de destruir minhas más paixões, embora sejam inesgotáveis.
    • Faço o voto de estudar os ensinamentos do Dharma, embora sejam inumeráveis.
    • Faço o voto de seguir o caminho de Buda, embora não haja outro parecido.
  • O Bodhichitta é exaltado no Sutra Gandavyuha como a semente da qual brotam as verdades do budismo.
    • Diálogo entre o peregrino Sudhana e o Bodisatva Maitreya.
    • O Bodhichitta é como uma semente: as verdades do Budismo brotam dele. É como um campo onde floresce a pureza.
    • O Bodhichitta é como a terra: suporta tudo. É como a água: limpa o lodo das paixões. É como o vento: sopra livremente sobre o mundo inteiro. É como o fogo: consome o que alimenta o sombrio pensamento racional.
  • A natureza do Bodhichitta é comparada a elementos celestiais e ferramentas de orientação.
    • O Bodhichitta é como o sol: ilumina tudo. É como a lua: tudo purifica. É como a lâmpada: mostra todas as coisas. É como o olho: percebe os obstáculos ao longo do caminho.
    • O Bodhichitta é como um caminho principal: conduz à cidade da onisciência. É como um carro: transporta os Bodisatvas. É como uma porta: abre—se sobre as ações do Bodisatva.
  • O refúgio espiritual proporcionado pelo Bodhichitta assemelha—se a moradas e figuras de proteção.
    • O Bodhichitta é como um palácio: é o refúgio onde se pratica o samadhi. É como um parque: nele se goza da verdade. É como uma morada: ali todos se resguardam. É como um refúgio: os seres que nele penetram estão a salvo.
    • O Bodhichitta protege os Bodisatvas como um pai; educa—os como uma mãe; cuida deles como uma babá; dirige—os como um protetor.
    • O Bodhichitta submete os Shravakas e os Pratyeka—budas como um rei.
  • A imensidão e a pureza do desejo de iluminação são relacionadas a montanhas sagradas e elementos da natureza.
    • O Bodhichitta é como o oceano: encerra as pedras preciosas das virtudes; é como o Monte Sumeru: eleva—se imparcialmente acima das coisas. É como o Monte Chakravada: sustenta o universo.
    • O Bodhichitta abunda em plantas do conhecimento como o Monte Himalaia; exala perfumes de verdade como o Monte Gandhamadana; espalha bondades como o espaço.
    • O Bodhichitta é puro como a flor de lótus; obediente como o elefante; livre como o cavalo; protege o Mahaiana como um condutor.
  • A compreensão meramente intelectual é insuficiente e estéril, assemelhando—se a sombras ou esqueletos.
    • A falta de Bodhichitta impede a manifestação da energia necessária para o bem dos seres.
    • Permanência de obstáculos cármicos e passionais quando não se penetra no reino das coisas inconcebíveis.
  • O mundo inconcebível é o cenário das metamorfoses e milagres realizados pelos Bodisatvas.
    • Vigência da harmonia, transparência perfeita e reuniões inumeráveis.
    • Sublimidade dos sacrifícios, atos perfeitos e irradiantes corpos luminosos.
  • Prajna e Bodhichitta constituem os suportes fundamentais que transcendem o intelecto seco e a razão fria.
    • A prajna funciona como o olho espiritual que penetra as trevas e conduz à onisciência.
    • A prajna é a mãe e antepassada de todos os Budas e Bodisatvas.
    • Identificação da prajna com os conceitos de shunyata, tathata, bhutakoti, dharma—dhatu e dharmata.
  • A ausência de prajna torna inúteis as demais virtudes e impede a autêntica liberação.
    • Comparação da prajna com as asas de um grande pássaro que, se não desenvolvidas, resultam em queda.
  • A visão prânica permite ao Bodisatva perceber as coisas yathabhutam, ou seja, tais como são.
    • O Bodisatva assemelha—se a uma nuvem carregada de chuva que alimenta e refresca a natureza exausta.
    • Compreensão de que a verdadeira morada é o Tathagata—gharba, a matriz do estado de Tathagata.
  • O Sutra Shurangama define o espírito original do Tathagata—gharba como uma realidade que transcende elementos e sentidos.
    • Ensinamento de Buda dirigido ao discípulo Purnamaitrayaniputra.
    • O espírito original não é nem os elementos, nem os órgãos dos sentidos, nem as ideias, nem os elos da cadeia de existência.
    • O espírito iluminado é maravilhoso por ser idêntico ao todo e, simultaneamente, estar acima do ser e do não ser.
  • A natureza do Tathagata—gharba é caracterizada como Vazio, Não Vazio e Vazio—não—Vazio.
    • Ver na própria natureza equivale a perceber a imutabilidade do Vazio.
  • O Sutra Adaha—pranaparamita detalha as diversas formas de Vazio para desconstruir noções de ipseidade.
    • Menção à assistência de Hidé Oshiro para a compreensão do texto.
    • Vazio das coisas interiores: irrealidade dos vijnanas e ausência de ego.
    • Vazio das coisas exteriores: ausência de substância nos objetos dos sentidos.
    • Vazio das coisas interiores e exteriores: irrealidade da distinção entre interno e externo.
    • Vazio do Vazio: irrealidade da própria ideia de Vazio para evitar o dualismo.
    • Grande Vazio: irrealidade do espaço.
    • Vazio da Verdade suprema: ausência de aderência no ser verdadeiro das coisas.
    • Vazio das coisas criadas e das coisas incriadas.
    • Vazio Supremo: necessidade de afastar a vassoura e quem varre para atingir a ideia absoluta.
    • Vazio do ilimitado: transcendência das categorias de começo e fim.
    • Vazio da dispersão: aniquilação dos quatro skandhas — vedana, samjna, samskara e vijnana.
    • Vazio da natureza primordial e da personalidade: inexistência de natureza individual estável.
    • Vazio de todas as coisas: impermanência de caracteres como existência e objetividade.
    • Vazio da inacessibilidade: a prajna permite compreender que o conhecimento do sábio é, na realidade, falta de conhecimento.
    • Vazio do não ser: vacuidade da oposição entre natureza e ausência de natureza.
  • A compreensão do Vazio conduz à percepção da Tathata e ao retorno ao país natal do espírito.
    • Menção ao ensinamento de Huei—neng sobre olhar no Vazio.
    • Subhuti como o nascido em conformidade com o Tathagata.
    • A Tathata do Tathagata é a Tathata de Subhuti, pois a Tathata é única e sem dualismo em todos os seres.
  • A Tathata é descrita negativamente como uma realidade intangível, sem nascimento, sem morada e sem ação.
    • Trata—se de um eterno presente que escapa às definições da linguagem e do pensamento comum.
    • Realidade absoluta comparada à água que é água e ao ar que é ar, além do ser e do pensamento.
  • O Bodisatva iluminado pela prajna compreende que oposições como Samsara e Nirvana são irreais.
    • Tais distinções só existem no discurso e sua evocação tende a falsificá—las.
  • A disciplina búdica visa avivar a visão prânica para romper a velha lógica e dissipar as ilusões do eu.
    • O espírito passa a voar livremente no espaço como um pássaro.
    • A Palavra e a Lei são comparadas a balsas abandonadas na margem após a travessia.
    • Foi construída para mim uma excelente balsa. Fiz a travessia até o Nirvana; alcancei a margem oposta; atravessei a torrente das paixões. Mas a balsa tornou—se inútil: Oh, Céu, se desejas, deixa cair a chuva!
  • O Bodisatva permanece no mundo por amor a todos os seres sem ultrapassar o limite da realidade.
    • Permanência fiel aos votos para libertar todos os seres do sofrimento e da impureza.
    • Atuação constante em todas as regiões do espaço enquanto subsistir dor no mundo.
  • A locomoção do Bodisatva é descrita como um movimento incessante e desapegado para auxiliar os seres sensíveis.
    • Maitreya responde a Sudhana sobre a origem e o destino do Bodisatva.
    • O Bodisatva vem como se não viesse nem fosse; como se não se movesse nem se detivesse, como se não morresse nem nascesse.
  • O Bodisatva utiliza estratagemas hábeis para transmitir o Dharma sem pertencer ao mundo em que atua.
    • Recusa de recompensa e seguimento dos caminhos engenhosos de todos os Budas.
    • Embora veja a Shunyata, o Bodisatva não a realiza plenamente para cumprir seus votos de libertação.
    • É de fato muito difícil que o Bodisatva, habituando—se à Shunyata e alcançando o Shunyata—samadhi, não alcance ainda o limite da Realidade.
  • O ideal do Bodisatva diferencia—se dos Shravakas e Pratyeka—budas pela dedicação incondicional aos outros seres.
    • O Vencedor da Ignorância conhece o Nirvana, mas faz o voto de não gozá—lo egoisticamente.
  • A divergência entre o budismo hindu e o Zen reside na forma da linguagem e não no pensamento fundamental.
    • Os mestres chineses e japoneses utilizam gestos bruscos, gritos e respostas definitivas em vez de descrições acumuladas.
    • Exemplo do mestre que define o ensinamento de Buda através do frescor de um abanigo.
  • As técnicas desorientadoras do Zen visam impedir que os homens fiquem presos no labirinto do próprio raciocínio.
    • A iluminação é atingida de maneira brusca, invalidando a balsa do Dharma após a travessia.
    • O que importa é a experiência direta e não o ensinamento teórico.
  • O conhecimento acumulado é insuficiente sem a experiência transformadora do despertar.
    • Comparação com o viajante sedento que ouve falar de uma fonte, mas não sacia sua sede apenas com o relato.
    • Escutar e refletir não permitem alcançar a natureza verdadeira da prajna—paramita.
    • Tai—huei afirma que o Zen carece de palavras e que o Satori contém tudo.
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