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budismo:waldberg:tchan

TCH'AN

MWFZ

  • O fenômeno do Paravritti, conforme descrito no Lankavatara sutra, caracteriza—se por um giro ou transtorno espiritual que desencadeia a iluminação de forma instantânea.
    • Quem continua vendo como via antes não vê a Buda.
    • Quando o pensamento discriminatório deixa de se manifestar, ocorre a visão verdadeira de Buda como o plenamente iluminado em um mundo não manifestado.
  • O Senhor de Lanka atingiu a iluminação súbita ao experimentar um giro no espírito e compreender que o mundo é uma projeção dessa própria consciência.
    • Estabelecimento no reino da não discriminação e aquisição de inteligência para compreender integralmente todos os textos.
    • Percepção da faculdade de ver as coisas como são, resultando na compreensão plena do Tathagata—garbha, da budeidade e do eu mais íntimo.
    • Manifestação de uma voz celestial que identifica o estado alcançado como o Em—si.
  • A introdução do Dharma na China ocorreu por intermédio de monges indianos que estabeleceram paralelos entre o budismo e o pensamento de Lao—tse.
    • Atuação de Matanga e Bhorana na cidade de Loyang no século I.
    • Traduções de sutras hindus realizadas pelo erudito Kumarajiva no século V.
    • Formulação da Escola da Luz Interior, ou Tch’an, por figuras como Tao Cheng e Seng Chao.
    • Definição da iluminação como um processo intemporal e brusco, onde o esforço humano consiste em permitir a condução do eu búdico original.
    • O Homem Santo limita—se à prática do não agir e ensina sem falar; produz sem se apropriar do resultado, trabalha sem esperar nada e realiza obras meritórias sem vincular—se a elas, garantindo sua subsistência.
  • A linhagem lendária dos patriarcas do Zen estabelece uma sucessão de vinte e oito mestres que preservam a transmissão iniciada por Buda.
    • Sequência composta por Sakia—muni, Mahakashyapa, Ananda, Shanavasa, Upagupta, Dhritaka, Micchaka, Buda—nandi, Buda—mitra, Bhikshu Parshva, Punya—yashas, Ashvaghosha, Bhikshu Kapimala, Nagarjuna, Kanadeva, Arya Rahulata, Samgha—nandi, Samgha—yashas, Kumarata, Jayata, Vasubandhu, Manura, Haklenayashas, Bhikshu Simha, Vashasita, Punyamitra, Prajnatara e Bodhi—dharma.
  • O início histórico do Zen é demarcado pela chegada de Bodhi—dharma à China no ano de 520 da nossa era.
    • Descrição do patriarca com crânio pilão, olhos grandes de íris negras, ausência de pestanas e barba hirsuta.
  • O diálogo entre Bodhi—dharma e o imperador Ou de Liang enfatiza a inexistência de mérito em ações externas e a vacuidade da doutrina sagrada.
    • Afirmação de que a construção de templos e a proteção a monges não possuem mérito real.
    • Caracterização da ação meritoria como perfeita e misteriosa, ultrapassando o alcance da inteligência humana.
    • Resposta do patriarca sobre o princípio fundamental da doutrina como um vasto vazio onde nada é sagrado.
    • Retirada do sábio para um monastério para praticar a contemplação do muro durante nove anos.
  • A pacificação do espírito de Chen—kuang ocorreu mediante a prova de sinceridade e o reconhecimento de que a alma não pode ser capturada.
    • Automutilação do monge Chen—kuang como prenda de sinceridade para receber instrução.
    • Diálogo no qual o mestre afirma que a alma buscada e não encontrada já se encontra pacificada para sempre.
    • Atribuição do nome Huei—k’o ao discípulo após sua iluminação instantânea.

PI—KUAN, TUN—U, UEN—TA

  • O conceito de pi—kuan designa a contemplação do muro como uma experiência fundamental do inefável que transcende a autoridade dos sutras.
    • Substituição da fórmula antiga de despertar intelectual pela prática do silêncio absoluto.
    • Instrução de Bodhi—dharma para que o espírito não possua desejos internos nem ataduras exteriores, assemelhando—se a um muro.
    • Reconhecimento da essência do espírito como algo que todos os Budas transmitiram, mas que é incapaz de ser expresso por palavras.
    • Observação da solidez do muro como reflexo da realidade do praticante, eliminando fantasias e devaneios sobre o ser.
  • A sucessão do patriarcado foi decidida através da profundidade da compreensão dos discípulos sobre a vacuidade da realidade.
    • Resposta de Tao—fu sobre a verdade além da afirmação e da negação, recebendo a pele do mestre.
    • Visão única da monja Tsung—tch’ih comparada a Ananda, recebendo a carne.
    • Afirmação de Tao—iu sobre a vacuidade dos quatro elementos e dos cinco skhandas, recebendo os ossos.
    • Silêncio e inclinação de Huei—k’o como demonstração da medula dos ensinamentos.
  • O termo tun—u identifica a iluminação em seu aspecto súbito, manifestada na percepção imediata da natureza das coisas.
    • Identificação do universo em fenômenos cotidianos como o vapor no vidro, o voo dos pássaros, o perfume da terra molhada e o gesto do mestre.
  • Os diálogos paradoxais conhecidos como uen—ta ou mondos formam a base primitiva dos koans para a compreensão não intelectual.
    • Purificação de Seng—ts’an por Huei—k’o ao evidenciar que os pecados não possuem existência tangível para serem entregues.
    • Questionamento de Seng—ts’an a Tao—hsin sobre quem o acorrentou, revelando que a libertação já estava presente.
    • Diálogo entre Tao—hsin e o jovem Hung—jen sobre a natureza de Buda como uma natureza vazia.
  • A evolução do Tch’an na China deu origem a diversas escolas marcadas por encontros entre mestres e ermitões.
    • Encontro de Tao—hsin com Fa—jung, mestre da escola Godzuzen, onde a iluminação resultou na cessação das ofertas de flores pelos pássaros.
    • Classificação do Zen T’ien—tai como uma vertente excessivamente filosófica e hinduísta para o espírito chinês.
  • O sexto patriarca Huei—neng estabeleceu a Escola Brusca do Sul em oposição à Escola do Norte liderada por Chen—hsiu.
    • Estrofe de Chen—hsiu que compara o corpo à árvore bodhi e o coração a um espelho que deve ser constantemente limpo.
    • Resposta de Huei—neng afirmando que não existe árvore da iluminação nem espelho e que no vazio original o pó não pode se amontoar.
    • Intervenção de Huei—neng em uma disputa de monges, declarando que não são o vento nem o estandarte que se movem, mas o espírito.
  • O pensamento de Huei—neng rejeita a prática exclusiva da meditação sentada como meio de salvação, focando na natureza interior.
    • Crítica à imobilidade forçada como uma doença e não como o verdadeiro Zen.
    • O vivo está sentado, não deitado. O morto deitado, não sentado. Conjunto de esqueletos com cheiro putrefato! Que vantagem há em atormentar deste modo o sangue e a água?
    • Afirmação de que moralidade, meditação e sabedoria são atributos inerentes à natureza do Yo e não objetivos a serem alcançados fora do ser.
  • A revelação do rosto original ocorre no presente imediato quando se abandona a identificação com desejos e projeções.
    • O rosto original aparece quando se deixa de querer ser algo para simplesmente ser o que já se é no Eu.
    • Ver instantaneamente a própria natureza como prana e transmitir a lâmpada de forma direta e concreta.
    • Fidelidade ao espírito do mestre mantida por figuras como Chen—huei, Tchao—tcheu, Ma—tsu, Huang—po, Lin—tsi e Ts’ao—chan.
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