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MISTÉRIO DAS CATEDRAIS (TERCEIRO PREFÁCIO)

FULCANELLI. LE MYSTÈRE DES CATHÉDRALES.

  • A reedição de Le Mystère des Cathédrales por Jean-Jacques Pauvert era necessária por razões de salubridade filosófica, e foi realizada com a preocupação de aliar perfeição profissional a preço acessível, ilustrando a primeira obra do Mestre com fotografias das esculturas desenhadas por Julien Champagne, que conheceu Fulcanelli em 1901.
  • A alquimia é, para o homem, a busca e o despertar da Vida secretamente adormecida sob o envelope do ser e a casca das coisas, num processo permanente de purificação em direção à perfeição última, tanto no plano material quanto no espiritual.
    • O apotegma Solve et coagula sintetiza a técnica, que exige sinceridade, resolução e paciência.
    • A imaginação está quase totalmente abolida na época de saturação agressiva e esterilizante.
    • A Tourbe, pela voz de Baleus, afirma que a mãe tem piedade do filho, mas este é muito duro com ela, drama que se desenvolve positivamente no microcosmo alquímico-físico.
  • A Maçonaria ainda busca a palavra perdida, enquanto a Igreja universal, que possui esse Verbo, está em vias de abandoná-lo no ecumenismo do diabo, favorecida pela obediência crédula de um clero ignorante a forças ocultas que visam destruir a obra de Pedro.
    • O ritual mágico da missa latina foi profundamente perturbado e perdeu seu valor.
    • A heresia funestas instala-se na vaidade raciocinante e no desprezo das leis misteriosas.
    • Entre essas leis está a necessidade inelutável da putrefação fecunda para que a vida prossiga sob a aparência enganosa do nada e da morte.
    • A Igreja passou a consentir com a cremação, que recusava absolutamente, numa concessão à fase transitória tenebrosa que abre possibilidades à alquimia operativa.
    • São João relata a parábola do grão de trigo que, ao morrer na terra, produz muitos frutos, e o episódio de Lázaro demonstra que a putrefação do corpo não significa abolição total da vida.
  • O argumento de que a decomposição dos cadáveres em cemitérios ameaçaria de infecção os vivos é especioso e foi avançado há mais de um século, no tempo do positivismo estreito de Auguste Comte e de Littré, sem que se aplicasse às grandes hecatombes das duas guerras mundiais.
    • Mathieu-Joseph Orfila e Marie-Guillaume Devergie estudaram no início do Segundo Império a decomposição lenta do corpo humano.
    • O resultado da experiência mostrou que o odor diminui gradualmente até que as partes moles formam um detrito barrento e escurecido com cheiro de algo aromático.
    • Morien e Raymond Lulle precisam que ao odor infecto da dissolução obscura sucede o perfume mais suave, por ser próprio da vida e do calor.
  • Impõe-se retificar os efeitos persistentes de uma controvérsia tendenciosa, originada na correção que Fulcanelli fez a Louis-François Cambriel a propósito da estátua de são Marcel, bispo de Paris, que se encontrava em Notre-Dame no trumeau do pórtico de santa Ana antes de ser substituída por cópia por Viollet-le-Duc e Lassus por volta de 1850.
    • Cambriel, escrevendo sob Carlos X, descreveu o bispo com o dedo à boca recomendando silêncio, descrição acompanhada de esboço imperfeito.
    • Fulcanelli, cotejando a obra original conservada no Museu de Cluny, demonstrou que são Marcel é absolutamente imberbe, com mitra simples, e está representado abençoando, com o índice e o médio erguidos, não fazendo o gesto do silêncio.
    • A crossa apoia sua extremidade inferior sobre a goela do dragão, detalhe essencial para a leitura do hieróglifo alquímico.
  • Emile-Jules Grillot de Givry, no Musée des Sorciers publicado em fevereiro de 1929, sustentou que uma terceira estátua de são Marcel, do século XVI, teria sido inserida entre o original gótico depositado em Cluny e a cópia moderna de Notre-Dame, com a crossa deliberadamente encurtada para contrariar os alquimistas.
    • Grillot de Givry forneceu uma fotografia sem referência como suporte da afirmação, cuja confecção recente é denunciada pelo clichê em simili.
    • Na fotografia, o suposto são Marcel não possui a crossa que o texto de Grillot lhe atribui, mas apenas uma espécie de barra grossa sem voluta na extremidade superior.
    • O livro foi publicado uma semana após a morte súbita de seu autor, ocorrida em 20 de novembro de 1928.
  • Marcel Clavelle, sob o pseudônimo Jean Reyor, no Voile d'Isis de novembro de 1932, defendeu Cambriel e acusou Fulcanelli de leveza, afirmando que existia uma terceira estátua, reprodução infiel do original, que teria sido substituída por volta de 1860 pela cópia mais honesta visível na catedral.
    • Bernard Husson retomou a posição de Jean Reyor trinta e dois anos depois, sem reflexão nem escrúpulo em relação ao Mestre comum.
    • A intensidade de prazer em surpreender Fulcanelli em erro ofuscou tanto Marcel Clavelle quanto Bernard Husson.
  • O testemunho ocular irrecusável do sieur Esprit Gobineau de Montluisant, em sua Explication très-curieuse des Énigmes et Figures hiéroglyphiques de Notre-Dame, datada de 20 de maio de 1640, prova que a estátua original se encontrava ainda no pilar mediano do pórtico direito naquela data, arruinando a tese de uma substituição no século XVI.
    • Gobineau de Montluisant descreve o bispo colocando a crossa na goela do dragão, de onde parecem sair ondas com a cabeça de um rei de coroa tríplice.
    • Jean Reyor foi obrigado, diante dessa prova, a recuar a data da estátua inventada para o reinado de Luís XIV.
    • Bernard Husson tentou resolver o impasse propondo que XVI século na página 407 do Musée des Sorciers seria erro tipográfico por XVII século, leitura que o texto não sustenta.
  • É inconcebível admitir que um restaurador do período dos Valois tivesse levado a estátua gótica a um museu inexistente em sua época, enquanto o próprio Viollet-le-Duc, trezentos anos depois, não teria preservado a suposta estátua barbada que ele teria substituído.
    • A estátua hermética de são Marcel está atualmente abrigada na torre setentrional de sua primeira morada.
    • O illogismo da refutação de Grillot de Givry resiste a toda digestão possível.
    • A terceira edição de Le Mystère des Cathédrales exigia que o bem-fundado do reproche de Fulcanelli a Cambriel fosse claramente estabelecido e a equívoca criada por Grillot de Givry definitivamente dissipada.
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