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esoterismo:festugiere:hmp:mistica-helenistica

MÍSTICA

FESTUGIÈRE, A. J. Hermétisme et mystique païenne. Paris: Aubier-Montaigne, 1967

  • Condições psicológicas fundamentais para o surgimento de qualquer mística
    • Sensação de solidão e insatisfação no mundo
    • Crença na existência de um Princípio superior dominante
    • Crença na possibilidade de uma união íntima e pessoal com esse Princípio
  • A complexidade extraordinária da mística helenística
    • O fenômeno do sincretismo cultural e religioso como causa determinante
    • A fusão de tradições filosóficas e religiosas da Grécia e do Oriente
    • O exemplo do mago Cipriano e suas iniciações em múltiplas tradições
    • A dificuldade progressiva de isolar origens específicas em textos como o Corpus Hermeticum
    • A opção metodológica por abandonar a questão das fontes e focar nas condições psicológicas
  • O princípio organizador para o estudo da mística helenística
    • A necessidade de basear a análise nas condições genéticas do fenômeno místico
    • O misticismo como um fato da alma e um fenômeno religioso
    • A variação das formas de misticismo de acordo com a natureza da deficiência sentida pela alma
    • A relação entre a deficiência sentida, a natureza do Princípio almejado e os meios para alcançá-lo
  • A mística do Ser para espíritos de inclinação filosófica
    • A deficiência do ser sensível como impulso para buscar um Princípio que seja eminentemente o Ser
    • A busca de um Princípio hipercósmico transcendente à matéria
    • A busca de um Princípio supraessencial transcendente aos próprios inteligíveis
    • Os meios para atingir esse Princípio duplamente desconhecido (ἄγνωστος)
      • A purificação de tudo que é afetado pela matéria
      • A transcendência do próprio inteligível através da via da negação (ἀφαίρεσις)
      • O contato misterioso do νοῦς com a realidade íntima do Ser
  • A mística da Ordem para espíritos afetados pelo desordem do mundo
    • A distinção entre uma atitude otimista e uma atitude pessimista em relação ao mundo
    • A atitude otimista e a restrição do desordem à região sublunar
      • A contemplação da ordem imutável do céu como fuga do desordem terrestre
      • A mystique astrale de Franz Cumont
        • A consideração dos astros como a realidade mais alta do divino
        • A sublimação pela contemplação da beleza e adoração dos astros
        • A resignação aos desígnios astrais pela contemplação da ordem universal
      • A contemplação do Logos Supremo ordenador do cosmos
        • A ascensão por analogia da visão do mundo até o Ordenador Supremo
        • A conformação da vontade humana à Vontade divina
    • A atitude pessimista e a concepção do mundo como inteiramente mau
      • A rejeição do mundo material e da ordem astral como desordem para o homem
      • A busca da Ordem e de seu Princípio fora do mundo, em uma divindade hipercósmica
      • O objetivo de salvação ou libertação através da união com essa divindade
  • Aspectos formais comuns das mystiques de salvação de orientação pessimista
    • O pessimismo em relação ao mundo conduz ao pessimismo em relação à razão humana
    • A necessidade de uma graça divina externa para a salvação
      • A manifestação da graça na ordem do conhecimento: a revelação e a gnose (γνῶσις θεοῦ)
      • A manifestação da graça na ordem da ação: a proteção divina através de um δαίμων πάρεδρος
      • A manifestação da graça na ordem escatológica: a remontada da alma após a morte
    • A constituição de um povo de eleitos e a revelação como um segredo (μυστήριον)
    • A inversão do processo teórico: o conhecimento deriva da experiência religiosa (νοεῖ qui colit)
  • Conteúdo doutrinal das mystiques de salvação
    • Os três pontos fundamentais da gnose revelada
      • O conhecimento de Deus (γνῶσις θεοῦ)
      • O conhecimento de si mesmo (γνῶσις ἑαυτοῦ)
      • O conhecimento do caminho de retorno (γνῶσις ὁδοῦ)
    • A γνῶσις θεοῦ: o conhecimento de Deus e suas hipóstases
      • A concepção do Deus supremo transcendente
        • Seus atributos: Um, Soberano Absoluto, Autossubsistente, Silencioso
        • Sua natureza: Noûs, Vida, Luz, Bem, Pai
        • Sua inefabilidade: a abundância de qualificações negativas
        • Sua composição em Potências e a emanação de hipóstases
      • A necessidade de um segundo Deus ou Noûs Demiurgo
        • A função de organizar o mundo e isolar o Primeiro da matéria
        • A limitação de sua responsabilidade pelo mal através dos Sete Arcontes
        • A Heimarménè como governo dos Arcontes planetários
      • A hipóstase salvadora: Noûs, Logos ou Anthrôpos
        • Sua função de revelar a origem e o fim ao homem
        • Sua função de auxiliar o homem a cumprir seu destino
    • A γνῶσις ἑαυτοῦ: o conhecimento da condição presente do homem
      • A tríplice composição atual do homem: corpo, alma, νοῦς
      • O mito da formação e da queda do Anthrôpos ideal
        • Sua natureza originária perfeita como imagem do Père
        • A queda devido ao ἔρως e a vestimenta progressiva de corpos e vícios
        • A geração da humanidade atual a partir do Anthrôpos caído
      • A explicação da condição presente
        • A parte divina e imortal: o νοῦς, superior à Heimarménè
        • A parte hílico-psíquica: os vícios astrais e o corpo, sujeitos à Heimarménè
        • A distinção entre os homens pneumáticos (πνευματικοί) e os hílicos (ὑλικοί)
    • A γνῶσις ὁδοῦ: o conhecimento da remontada (ἄνοδος)
      • A etapa definitiva após a morte: a simetria inversa da descida (κάθοδος)
        • O despojamento das envolturas na ordem inversa
        • A união final, nu, com o Um e Sozinho
      • A preparação durante a vida: a purificação (κάθαρσις) e o distanciamento do mundo
        • O fenômeno místico da regeneração (παλιγγενεσία) ou nascimento em Deus (γένεσις ἐν θεῷ)
        • A metamorfose (μεταμορφοῦσθαι) e a substituição dos vícios pelas Potências divinas
        • A constituição do Logos interior (συνάρθρωσις τοῦ Λόγου) e a libertação da Heimarménè
      • Os modos práticos de alcançar o fenômeno místico
        • O confronto entre o método de Zoroastro e o de Hermes
        • O método interior e espiritual da gnose pura: a concentração e a extase
        • O método exterior e mecânico das fórmulas: a supplicatio religiosa e a magia constringente
        • A gradação de práticas entre esses dois extremos
  • A mística da visão como meio para um fim temporal
    • A diferença fundamental em relação às mystiques anteriores: a visão como meio, não como fim
    • A permanência de crenças fundamentais das mystiques de salvação
    • A busca de um oráculo para vantagem terrena na ordem do saber ou da ação
    • A ausência de conversão permanente e a natureza de visita passageira da aparição divina
    • A classificação das subespécies deste misticismo interessado
      • Revelações para superar uma deficiência no saber
        • Oraculos sobre a natureza da divindade (Iao, Mandoulis Aión)
        • Oraculos sobre a criação do mundo e o destino das almas
        • Revelação de ciências ou artes sagrados: astrologia, alquimia, teléstica, magia
        • Revelação de ciências profanas: fisiologia, poesia, retórica
        • Conselhos médicos e previsão de eventos futuros
      • Revelações para superar uma impotência na ação
        • Concessão de favores de salvação temporal: cura, salvamento, auxílio militar
        • Concessão de poderes mágicos para sucesso amoroso, fortuna, fama
      • Casos mistos de contemplação amourosa e interesse temporal
        • O exemplo de Lúcio em Apuleio
  • Conclusões sobre a mística helenística
    • A gênese do fenômeno a partir do sentimento geral de miséria do homem helenístico
      • A sensação de solidão e incompreensão em um mundo hostil regido pela Heimarménè
      • A miséria e o misticismo como fatos conexos que se exigem mutuamente
    • A derivação do caráter de cada mística da natureza específica da miséria sentida
      • Angústia metafísica: Mística do Ser
      • Sentimento do mal terrestre: Contemplação astral ou Fuga do mundo para um Deus transmondano
      • Miséria temporal: Recurso a um deus salvador e benfeitor
    • A redução a uma divisão binária a partir dos métodos utilizados
      • A mystique teórica ou de sabedoria
        • O homem salva a si mesmo pelo uso de seu νοῦς ou razão
        • A comunicação com o divino através do esforço do pensamento
        • A rejeição da revelação, da graça e dos ritos exteriores
        • A responsabilidade integral do homem por seus atos e destino
        • O resumo do espírito na frase de Plotino
      • A mystique hierática ou de salvação
        • A incapacidade radical do homem e a necessidade de um socorro extrínseco
        • A indispensabilidade da revelação e da graça divina
        • A passividade do homem que recebe a salvação e é “agido” pelo Logos
        • A possível associação da primeira à tradição filosófica grega e da segunda à teosofia oriental
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