Razão, credo e certeza
TANNER, André. Gnostiques de la Révolution. Paris: Engloff, 1946
MINISTÉRIO DO HOMEM-ESPÍRITO
… Mas por que defendem que devemos agir pela razão? É porque não perceberam que, se existe uma razão humana que se opõe à verdade, também existe uma razão humana que a defende. Eles são sábios e prudentes quando defendem o primeiro tipo de razão, pois, na verdade, ela é inimiga de toda a verdade, como se pode ver facilmente nas ofensas que os doutores das ciências externas, que são objeto e resultado da simples razão deste mundo natural, fazem a essa verdade. A principal propriedade desse tipo de razão é temer o erro e se entregar com desconfiança à verdade. Sempre ocupada em examinar as provas, ela quase nunca deixa tempo para a mente saborear o encanto das alegrias intensas. Ela tem um modo de agir desconfiado que impede que o gosto pelo verdadeiro penetre nela. É isso que acaba levando as sociedades científicas à descrença, depois de mantê-las por tanto tempo na dúvida.
Mas elas não seriam mais sábias nem prudentes se nos proibissem o uso do segundo tipo de razão, porque esse segundo tipo de razão é, ao contrário, o defensor da verdade. É o olho perspicaz que a descobre continuamente e tende apenas a fazer perceber seus tesouros; e longe de ser condenável a razão nesse aspecto, será, pelo contrário, um crime para nós não a termos seguido, uma vez que esse presente foi dado a todos os homens com o único e exclusivo objetivo de que eles o usassem, e na convicção do agente supremo de que essa tocha, ao se apresentar humildemente ao foco da luz universal, teria sido suficiente para nos ensinar tudo e nos conduzir a tudo.
De fato, como o agente supremo poderia exigir que acreditássemos nele e em todas as suas maravilhas, se não tivéssemos, por nossa essência, todos os meios necessários para descobri-las? Sim, a verdade seria injusta se não estivesse clara e abertamente escrita em todos os lugares aos olhos do pensamento humano. Se essa verdade eterna quer ser acreditada, ela e tudo o que dela deriva, é porque nos é dado poder, a cada passo, assegurar-nos de sua existência; e isso, não pelo testemunho da simples afirmação dos homens, nem dos próprios ministros da verdade, mas por testemunhos diretos, positivos e irresistíveis.
Pois a crença que você às vezes desperta no pensamento de seus prosélitos, por mais útil que seja, está muito longe da certeza que deve se apoiar em tais testemunhos. Não é raro encontrar homens sobre cuja crença se possa exercer algum domínio; nem mesmo é raro ouvir dizer no mundo que não há nada mais fácil do que acreditar; há até mesmo pessoas que afirmam acreditar, de fato, em tudo o que querem.
Concordo com isso no que diz respeito à crença cega, porque ela consiste apenas em descartar a universalidade e compreender apenas um único ponto. A partir daí, a gente fica dispensado de qualquer comparação; e, mesmo por essa lei, quanto mais a gente se aprofundar nas particularidades, mais estará disposto a acreditar, o que explica o fanatismo dos supersticiosos, que é diretamente proporcional à sua ignorância.
Mas eu o nego em relação à certeza, que é o oposto da crença cega, porque só se chega a essa certeza à medida que se sobe em direção à universalidade, ou ao conjunto das coisas, visto que, quando se fazem comparações nesse conjunto de coisas e se descobre a unidade ou a universalidade da lei, é impossível não se ter certeza. E, de fato, essa certeza é o oposto da crença, porque está em razão direta com a elevação e o conhecimento.
Assim, concordo que nada é mais fácil do que acreditar, mas que não é tão fácil ter certeza. As pessoas do mundo lançam de vez em quando essas proposições espúrias que acreditam serem peremptórias, porque ninguém lhes responde. São espécies de reagentes químicos que introduzem junto ao verdadeiro, e com os quais procuram precipitá-lo no fundo do vaso. Mas vemos que não é impossível escapar a esses subterfúgios.
Em geral, os homens se afundam, seja em crenças cegas, seja em desconfianças, seja mesmo em ceticismo, porque se limitam a contemplar as opiniões tenebrosas ou imperiosas dos homens, seus sistemas incoerentes e suas paixões; em uma palavra, porque só olham para os homens, nos quais tudo é diverso e oposto. Se olhassem para dentro do homem, veriam nele a raiz de todas as virtudes, de todas as luzes e de todas as harmonias; enfim, veriam nele o próprio sistema divino e encontrariam uma uniformidade de princípios e certezas que logo os colocaria em acordo. Não afastemos, portanto, aquela das nossas duas razões humanas que tem o poder de alcançar a verdade.
