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Sete Princípios Fundamentais do Universo

TANNER, André. Gnostiques de la Révolution. Paris: Engloff, 1946

MINISTÉRIO DO HOMEM ESPÍRITO

Antes de expor esta hipótese, deve-se recordar que seu autor, Jacob Boehme, estava vinculado a todas as opiniões enunciadas anteriormente sobre a existência de um princípio universal, simultaneamente dominador supremo e fonte de tudo o que integra o número dos seres; sobre a natureza do homem pensante e distinto da classe animal; sobre a degradação da espécie humana, degradação que se estendeu até o próprio universo e fez com que este não fosse mais do que nossa prisão e nosso sepulcro, em vez de ser para nós uma morada de glória.

Ele estava convencido, assim como o sábio Laplace, de que tudo se sustenta na imensa cadeia das verdades: eis por que emprega, nos desenvolvimentos de seu sistema, todas as bases e todos os dados que abrangem a universalidade das coisas; pois, por mais que se pretendesse, pelo pensamento, retirar uma parte do sistema universal e torná-la um sistema à parte, jamais se poderia retirar com sucesso, desse sistema parcial, as engrenagens que o ligam ao sistema geral.

Ele acreditava que a natureza primitiva, a qual denomina natureza eterna, e da qual a natureza atual, desordenada e passageira, descendeu violentamente, repousava sobre sete fundamentos principais, ou sobre sete bases, que chama ora potências, ora formas, e até mesmo rodas, fontes e mananciais espirituais, porque escrevia em um tempo em que todas essas denominações não eram proscritas, como o são em nossos dias as formas plásticas e as qualidades dos antigos filósofos; expressões que, no entanto, talvez não tenham sido mais compreendidas do que serão as deste autor.

Ele acreditava que essas sete bases, ou essas sete formas, existiam também na natureza atual e desordenada em que habitamos, mas que ali existiam apenas como que sob constrangimento e contrariadas por potentes entraves, dos quais tenderiam com esforço a se desvencilhar para vivificar as substâncias mortas dos elementos e produzir tudo o que vemos de sensível no universo.

A essas sete qualidades fundamentais, ou sete formas, ele tenta atribuir nomes para tornar compreensível aquilo que confessa não possuir designação suficiente em nossas línguas, as quais, segundo ele, estão degradadas como o homem e o universo.

Poder-se-ia desejar abster-se de apresentar esta nomenclatura pela dificuldade que terá em encontrar aceitação junto ao leitor; mas como, sem ela, compreender-se-ia ainda menos a formação original dos planetas, segundo o sistema do autor, opta-se por falar sua linguagem.

Ele denomina, portanto, adstringência, ou potência coercitiva, a primeira dessas formas, como restringindo e comprimindo todas as outras. É assim que tudo o que, na natureza, possui uma qualidade dura, como os ossos, os caroços dos frutos e as pedras, parece-lhe pertencer principalmente a esta primeira forma ou à adstringência. Ele estende também essa denominação ao desejo que, em todos os seres, é a base e a fonte de tudo o que operam, e que, por sua natureza, atrai e abraça tudo o que deve pertencer à sua obra, cada qual em sua classe.

A segunda forma, ele a denomina fel ou amargura, e pretende que seja ela que, buscando por sua atividade penetrante dividir a adstringência, abre a via da vida, sem o que tudo permaneceria morto na natureza.

A terceira forma, ele a denomina angústia, porque a vida é comprimida pela violência das duas potências anteriores; mas, em seu choque, a adstringência se atenua, abranda-se e se torna água, para dar passagem ao fogo que estava encerrado na adstringência.

A quarta forma, ele a denomina fogo, porque, do choque e da fermentação das três primeiras formas, ele se eleva através da água como um relâmpago que o autor chama de relâmpago ígneo, calor, etc.: o que concorda com o que ocorre diante de nossos olhos quando o fogo se lança em relâmpagos através da água de nossas nuvens tempestuosas.

A quinta forma, ele a denomina luz, porque a luz vem apenas depois do fogo, como se observa em nossas lareiras, na pirotecnia e em outros fatos físicos.

A sexta forma, ele a denomina som, porque, de fato, o som vem após a luz, como se observa ao disparar uma arma de fogo, ou, se preferirmos, como se supõe que falamos apenas após termos pensado.

Finalmente, à sétima forma, ele atribui o nome de ser, de substância, ou da própria coisa; porque pretende que é somente então que ela nos revela o complemento de sua existência: e, de fato, as obras que fazemos nascer por nossa palavra são consideradas o complemento de todas as potências que as precederam.

Essas sete formas que, no curso de suas obras, o autor aplica à potência suprema, à natureza pensante do homem, ao que chama de natureza eterna e primitiva, à natureza atual em que vivemos, aos elementos, aos animais, às plantas e, enfim, a todos os seres, cada um nas medidas e combinações adequadas à sua existência e ao seu emprego na ordem das coisas; não deve causar estranheza que ele as aplique igualmente aos planetas e aos demais corpos celestes quaisquer, que todos encerram individualmente em si essas sete bases fundamentais, como o faz a menor produção do universo.

Ao aplicá-las à natureza dos planetas, aplicou-as também ao seu número; e nisto partilhou de uma opinião que reinou universalmente sobre a terra e que desapareceu apenas após as novas descobertas, ou seja, quase dois séculos após a morte do autor.

Mas a aplicação que ele tentou fazer de sua doutrina ao suposto número de sete planetas era apenas secundária ao seu sistema; e se a existência das sete formas ou das sete potências fosse real, seu sistema permaneceria íntegro, embora o número de planetas conhecidos tenha aumentado desde que escreveu e possa crescer ainda no futuro.

De fato, quando se acreditava nos sete planetas, nada era mais natural a este autor do que pensar que cada um deles, embora encerrasse em si as sete formas em questão, expressava, no entanto, mais particularmente uma dessas sete formas, e daí extraía os diversos caracteres que esses próprios planetas pareceriam anunciar por suas aparências exteriores, quanto mais não fosse pela diversidade de sua cor.

Mesmo que atualmente o catálogo dos planetas ultrapassasse o número sete, a predominância de uma ou outra das sete formas da natureza não deixaria por isso de ocorrer em cada um desses corpos celestes; apenas vários desses planetas poderiam ser constituídos de maneira a oferecer aos olhos a marca e a predominância da mesma forma ou propriedade.

O número de funções não variaria. Apenas o número de funcionários se estenderia, e isso, sem dúvida, com proporções que poderiam sempre ajudar a distinguir os graus dos diferentes funcionários empregados na mesma função; pois provavelmente nem todos estariam em graus de igualdade absoluta, visto que a natureza nada nos apresenta de semelhante. Agora, expor-se-á a hipótese em questão.

Segundo o autor, a geração ou a formação original dos planetas e de todos os astros não teve outro modo senão aquele pelo qual a vida e as maravilhosas proporções harmônicas da suprema sabedoria se engendraram desde toda a eternidade.

Pois, quando a alteração se introduziu em uma das regiões da natureza primitiva, a luz se apagou nessa região parcial que abrangia então todo o espaço da natureza atual; e essa região, que é a natureza atual, tornou-se como um corpo morto e não teve mais nenhuma mobilidade.

Então a eterna sabedoria, que o autor chama às vezes de amor, Sophia, luz, doçura, alegria e deleites, fez renascer no lugar central, ou no coração deste mundo, um novo regime para prevenir e deter sua inteira destruição.

Este lugar, este lugar central, é, segundo o autor, o lugar inflamado de nosso sol. Desse centro, ou desse lugar, engendraram-se e produziram-se todas as espécies de qualidades, formas ou potências que preenchem e constituem este universo, tudo segundo as leis da eterna geração divina; pois ele admite em todos os seres, e eternamente na suprema sabedoria, um centro onde se faz uma produção ou subdivisão septenária. Ele chama esse centro de separador.

Além disso, ele considera o sol como sendo o foco e o órgão vivificador de todas as potências da natureza, da mesma forma que o coração é o foco e o órgão vivificador de todas as potências dos animais.

Ele o considera como sendo a única luz natural deste mundo e pretende que, fora deste sol, não há mais nenhuma verdadeira luz na casa da morte; e que, embora as estrelas sejam ainda as depositárias secretas de uma parte das propriedades da natureza primitiva e superior, e embora brilhem aos nossos olhos, no entanto estão fortemente acorrentadas na efervescência áspera do fogo, que é a quarta forma da natureza; por isso, levam todo o seu desejo para o sol e dele recebem todo o seu brilho.

Não se conhecia então a opinião aceita que faz de todas as estrelas outros tantos sóis; opinião que, no entanto, não sendo suscetível de ser submetida a um cálculo rigoroso, deixa o caminho livre para outras opiniões.

Para explicar essa restauração do universo, que é apenas temporária e incompleta, ele pretende que, no momento da alteração, formou-se pela potência superior uma barreira entre a luz da natureza eterna e o incêndio de nosso mundo; que, por isso, este mundo foi então apenas um vale tenebroso; que não havia mais nenhuma luz que pudesse brilhar em tudo o que estava encerrado nesse recinto; que todas as potências ou todas as formas foram como que aprisionadas ali na morte; que, pela forte angústia que experimentaram, aqueceram-se sobretudo no meio dessa grande circunscrição, cujo meio é o lugar do sol.

Ele pretende que, quando sua fermentação angustiante atingiu nesse lugar o mais alto grau pela força do calor, então essa luz da eterna sabedoria, que ele chama amor ou Sophia, atravessou o recinto de separação e veio equilibrar o calor; porque, no instante, a luz brilhante elevou-se no que ele chama de potência da água, ou a untuosidade da água, e acendeu o coração da água, o que a tornou temperante e restauradora.

Ele pretende que, por esse meio, o calor foi cativado e que seu foco, que é o lugar do sol, foi transformado em uma doçura adequada, não se encontrando mais na horrível angústia; que, de fato, o calor, sendo abraçado pela luz, depôs sua terrível fonte de fogo e não teve mais o poder de se inflamar mais; que a erupção da luz, através da barreira de separação, não se estendeu mais longe nesse lugar, e que é por isso que o sol não se tornou maior, embora, após essa primeira operação, a luz tenha tido outras funções a cumprir, como se verá abaixo.

A TERRA. — Quando, ao tempo da alteração, a luz se apagou no espaço deste mundo, então a qualidade adstringente esteve em sua ação mais áspera e mais austera, e ela restringiu fortemente a ação das outras potências ou formas. É daí que provêm a terra e as pedras.

Mas elas ainda não estavam reunidas em massa, apenas erravam nessa imensa profundidade; e pela potente e secreta presença da luz, essa massa foi prontamente conglomerada e reunida da universalidade do espaço.

Assim, a Terra é a condensação das sete potências ou das sete formas; mas é considerada pelo autor apenas como o excremento de tudo o que se substancializou no espaço, no momento da condensação universal: o que não impede que tenham ocorrido condensações de outro gênero em outros lugares do espaço.

O ponto central, ou o coração desta massa terrestre conglomerada, pertencia primitivamente ao centro solar. Agora isso não ocorre mais. A Terra tornou-se um centro particular. Ela gira em vinte e quatro horas sobre si mesma, e em um ano ao redor do sol, do qual recebe a vivificação e do qual busca a virtualidade. É o fogo do sol que a faz girar. Quando, ao fim de seu curso, ela tiver recuperado sua plenitude, pertencerá novamente ao centro solar.

MARTE. — Mas se a luz contém o fogo no lugar do sol, no entanto o choque e a oposição desta luz ocasionaram também nesse mesmo lugar uma terrível erupção ignea, pela qual se lançou do sol como um relâmpago tempestuoso e assustador, trazendo consigo a fúria do fogo. Quando a potência da luz passou da eterna fonte da água superior através do recinto de separação para o lugar do sol e inflamou a água inferior, então o relâmpago lançou-se para fora da água com uma violência espantosa: é daí que a água inferior tornou-se corrosiva.

Mas esse relâmpago de fogo pôde lançar-se apenas até a distância onde a luz, que se dirigia também para perto dele e o perseguia, teve o poder de alcançá-lo. É a essa distância que ele foi aprisionado pela luz. Foi ali que ele parou e tomou posse desse lugar; e é esse relâmpago de fogo que forma o que chamamos de planeta Marte. Sua qualidade particular não é outra coisa senão a explosão de um fogo venenoso e amargo que se lançou do sol.

O que impediu que a luz o detivesse antes foi a intensidade da fúria do relâmpago e sua rapidez, pois ele não foi cativado pela luz antes que esta o tivesse inteiramente impregnado e subjugado.

Ele está ali agora como um tirano; agita-se e está furioso por não poder penetrar mais profundamente no espaço; ele é um aguilhão provocador em toda a circunscrição deste mundo: pois ele tem de fato por função agitar tudo por sua revolução na roda da natureza, do que toda vida recebe sua reação.

Ele é o fel de toda a natureza, é um estimulante que concorre para acender o sol, como o fel estimula e acende o coração no corpo humano. Daí resulta o calor tanto no sol quanto no coração; daí também a vida em todas as coisas toma sua origem.

JÚPITER. — Quando o áspero relâmpago de fogo foi aprisionado pela luz, esta luz, por seu próprio poder, penetrou ainda mais profundamente no espaço e atingiu o assento rígido e frio da natureza. Então a virtualidade desta luz não pôde mais se estender e tomou esse mesmo lugar como sua morada.

Ora, a potência que procedia da luz era muito maior do que a do relâmpago de fogo; é por isso também que ela se elevou muito mais alto do que o relâmpago de fogo e penetrou até o fundo na rigidez da natureza. Então ela se tornou impotente, estando seu coração como que congelado pela rigidez áspera, dura e fria da natureza.

Ela parou ali e tornou-se corpórea. É até ali que a potência da luz viva se estende agora para fora do sol, e não mais além; mas o brilho ou o esplendor, que também possui sua virtualidade, estende-se até as estrelas e penetra o corpo universal deste mundo.

O planeta Júpiter proveio desta potência da luz congelada ou corporificada e da substância desse mesmo lugar onde o planeta existe; mas ele inflama continuamente esse mesmo lugar por seu poder.

Todavia, Júpiter está nesse lugar como um doméstico que deve incessantemente servir em casa que não lhe pertence, enquanto o Sol tem sua própria casa. Fora dele, nenhum planeta possui casa própria.

Júpiter é como o instinto e a sensibilidade da natureza. Ele é uma essência amável e graciosa; é a fonte da doçura em tudo o que possui vida; é o moderador de Marte, que é furioso e destruidor.

SATURNO. — Embora Saturno tenha sido criado ao mesmo tempo que a roda universal da natureza atual, no entanto ele não tem sua origem nem sua extração do Sol; mas sua fonte é a angústia severa, adstringente e áspera de todo o corpo deste mundo.

Pois, como a potência luminosa do Sol não podia relaxar nem temperar a qualidade áspera e rígida do espaço, principalmente na altura acima de Júpiter, a partir de então essa mesma circunferência inteira permaneceu em uma terrível angústia, e o calor não podia despertar nela devido ao frio e à adstringência que ali dominavam.

No entanto, como a mobilidade tinha alcançado até a raiz de todas as formas da natureza, pela erupção e introdução interior da potência da luz, isso fez com que a natureza não pudesse permanecer em repouso; assim, ela teve as angústias do parto, e a região rígida e áspera, acima da altura de Júpiter, engendrou do espírito da aspereza o filho adstringente, frio e austero, ou o planeta Saturno.

Pois não se podia inflamar ali esse espírito de calor de onde resultam a luz, o amor e a doçura, e houve apenas um engendramento da rigidez, da aspereza e da fúria. Assim, Saturno é o oposto da doçura. […]

Saturno não está ligado ao seu lugar como o Sol; não é uma circunscrição estrangeira, corporificada na imensidão do espaço; é um filho engendrado da câmara da morte, da angústia rígida, áspera e fria.

Ele é, contudo, um membro da família nesse espaço no qual faz sua revolução; mas possui para si apenas sua propriedade corpórea, como uma criança quando sua mãe lhe deu à luz. É ele quem desseca e restringe todas as potências da natureza e que conduz, por esse meio, cada coisa à corporeidade; é seu poder adstringente que, sobretudo, engendra os ossos na criatura.

Assim como o Sol é o coração da vida e uma origem do que se chama espi ritos no corpo deste mundo; assim também Saturno é aquele que inicia toda corporeidade. É nesses dois astros que reside a potência de todo o corpo deste mundo. Fora de sua potência, não poderia haver no corpo natural deste mundo nenhuma criatura nem nenhuma configuração. […]

VÊNUS. — Vênus, o gracioso planeta, ou o móbile do amor na natureza, tem sua origem no eflúvio do Sol.

Quando as duas fontes da mobilidade e da vida se elevaram do lugar do Sol pela inflamação da untuosidade da água, então a doçura, pela potência da luz, penetrou na câmara da morte por uma impregnação suave e amigável, descendo abaixo de si como uma fonte de água e em sentido oposto à fúria do relâmpago.

Daí provieram a doçura e o amor nas fontes da vida. Pois quando a luz do Sol impregnou o corpo inteiro do Sol, a potência da vida que se eleva da primeira impregnação subiu acima de si como quando se acende madeira ou quando se faz saltar fogo de uma pedra.

Vê-se primeiro o clarão e, do clarão, sai a explosão do fogo; após a explosão do fogo, vem a potência do corpo inflamado; a luz, com essa potência do corpo inflamado, eleva-se no instante acima da explosão e reina muito mais alta e poderosamente do que a explosão do fogo; e é assim que se deve conceber a existência do Sol e dos dois planetas Marte e Júpiter.

Mas como o lugar do Sol, isto é, o Sol, assim como todos os outros lugares, tinham em si todas as qualidades à imitação do que existe na eterna harmonia, é por isso que, logo que esse lugar do sol foi inflamado, todas as qualidades começaram a agir e a se estender em todas as direções: elas se desenvolveram segundo a lei eterna que é sem princípio.

Então a potência da luz, que, no lugar do Sol, tinha tornado flexíveis e expansivas como água as qualidades ou formas adstringentes e amargas, desceu abaixo de si como tendo um caráter oposto ao que se eleva na fúria do fogo. É daí que proveio o planeta Vênus, pois é ela que, na casa da morte, introduz a doçura, acende a untuosidade da água, penetra suavemente na dureza e inflama o amor.

Em Vênus, o regime radical ou o calor amargo que lhe é fundamental, como em todas as coisas, é desejoso de Marte, e a sensibilidade é desejosa de Júpiter; a potência de Vênus torna tratável o furioso Marte; ela o abranda e torna Júpiter moderado e contido; caso contrário, a potência de Júpiter atravessaria a áspera câmara de Saturno, como através da caixa óssea dos homens e dos animais, e a sensibilidade se transformaria em audácia contra a lei da eterna geração.

Vênus é uma filha do Sol; ela possui um grande ardor pela luz; ela está dela grávida: é por isso que possui um brilho tão radiante em comparação aos outros planetas.

MERCÚRIO. — Na ordem superior das leis harmônicas das sete formas eternas, Mercúrio é o que o autor chama de som. Esse som ou esse mercúrio está também, segundo ele, em todas as criaturas da terra, sem o que nada seria sonoro e nem sequer produziria qualquer ruído. Ele é o separador; desperta os germes em cada coisa; é o principal operário na roda planetária.

Quanto à origem de Mercúrio na ordem dos planetas, o autor a atribui ao triunfo alcançado sobre a adstringência pelo poder da luz, porque essa adstringência, que restringia o som ou o mercúrio em todas as formas e potências da natureza, tornou-o livre ao se atenuar.

Este Mercúrio, que é o separador em tudo o que possui vida; que é o principal operário na roda planetária; que, enfim, é como a palavra da natureza, não podia, na inflamação, tomar um assento distante do Sol, que é o foco, o centro e como que o coração desta natureza, porque, tendo nascido no fogo, suas propriedades fundamentais a isso se opunham e o retinham junto ao Sol, de onde exerce seus poderes sobre tudo o que existe no mundo.

Ele envia suas potências a Saturno, e Saturno inicia sua corporização.

O autor pretende que Mercúrio se impregna e se alimenta continuamente da substância solar; que nele se encontra encerrado o conhecimento do que estava na ordem superior, antes que a potência da luz tivesse penetrado através do recinto no centro solar e no espaço deste universo (o que poderia ser a causa secreta das investigações de tantos curiosos sobre o mercúrio mineral).

Ele pretende, além disso, que Mercúrio ou o som estimula e abre, sobretudo nas mulheres, o que em todos os seres ele chama de tintura, e que esta é a razão pela qual elas falam tão voluntariamente.

A LUA. — O autor fala apenas deste único satélite. Diz que, quando a luz tornou material a potência no lugar do Sol, a Lua apareceu, como ocorrera com a terra; que a Lua é um extrato de todos os planetas; que a terra lhe causa pavor, visto seu espantoso estado de excremento desde a alteração; que a Lua, em sua revolução, toma ou recebe o que pode da potência de todos os planetas e das estrelas; que ela é como a esposa do Sol; que o que é sutil e espirituoso no Sol torna-se corpóreo na Lua, porque a Lua concorre para a corporização, etc.

Tal é a hipótese que se julgou poder expor ao lado daquelas dos dois autores célebres de quem se falou acima. Apresentou-se a mesma, contudo, apenas de forma muito abreviada. Para dar dela uma ideia completa, seria necessário analisar todas as obras do escritor que a trouxe a lume; e ainda assim não se teria a pretensão de, por esse meio, colocá-la ao abrigo de todas as objeções.

Mas poder-se-ia dizer aos sábios em questão que, se ela possui defeitos, os deles talvez possuam ainda mais, ao não nos oferecerem nenhuma das bases vivas que parecem servir simultaneamente de princípio e de pivô à natureza; que eles possuem, aliás, glória suficiente naquelas de suas ciências que não são conjeturais, para não serem humilhados se outrem tivesse atingido mais perto do alvo naquelas que não são objeto da análise.

Há vários ramos na árvore da inteligência humana; todos esses ramos, embora distintos, servem, em vez de se prejudicarem, apenas para estender nossos conhecimentos.

Tome-se uma lira por exemplo e coloque-se a mesma sob os olhos de vários homens. Um deles poderá representar exatamente suas dimensões exteriores.

Se outro for além e, desmontando todas as peças dessa lira, der uma ideia justa de todas as matérias de que são compostas e de todas as preparações e manipulações pelas quais passaram para torná-las aptas a cumprir o emprego a que se destinam, isso não impedirá que a descrição feita pelo primeiro demonstrador seja muito justa e muito estimável.

Finalmente, se um terceiro estiver em condições de fazer ouvir os sons da lira e de encantar o ouvido por uma harmoniosa melodia, seu talento não prejudicará mais o mérito dos dois demonstradores precedentes.

É por isso que se apresenta com confiança aos homens doutos nas ciências exatas a hipótese em questão, porque, apesar do campo imenso que abrange, ela jamais impedirá que suas descobertas nos fatos astronômicos exteriores sejam da maior importância, e que as maravilhosas potências da análise os conduzam diariamente, e com passo seguro, no conhecimento das leis fixas que dirigem não apenas os corpos celestes, mas até todos os fenômenos físicos do universo.

E mesmo quanto mais progresso fizerem nesse gênero, mais satisfação se experimentará, convencido como se está de que, por esse meio, avançarão outro tanto em direção à fronteira das outras ciências e que não hesitarão mais em formar entre elas uma aliança indissolúvel, quando reconhecerem que elas oferecem todos os títulos da fraternidade.

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