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folktale:thompson:nativos-norte-americanos

NATIVOS NORTE-AMERICANOS

THOMPSON, Stith. The folktale. Berkeley: Unv. of California Pr, 1977.

Distinção entre mitos e contos populares nas culturas nativas norte-americanas

  • A diferenciação entre mitos e contos populares, válida para gregos e hindus, não se aplica adequadamente aos indígenas norte-americanos.
    • Embora alguns grupos reconheçam diferenças entre histórias do mundo atual e de um mundo anterior, e existam mitos rituais conhecidos apenas por iniciados, essas categorias de narrativas se misturam livremente.
    • A indiferença dos colecionadores de contos indígenas é evidente na publicação de suas coletâneas, que são chamadas indistintamente de contos, mitos ou tradições.

Mitos de criação em diferentes áreas culturais

  • A maioria das tribos possui histórias sobre suas origens e seres superiores, que podem ser chamadas de mitos de criação, embora variações regionais sejam significativas.
    • Esses mitos frequentemente são relatos de mudanças em um mundo já existente, em vez de uma verdadeira tentativa de explicar a criação do nada.
    • Essas mudanças podem envolver a criação da terra atual, de suas características, dos corpos celestes e, mais frequentemente, a criação e o condicionamento de humanos e animais.

1. SUDOESTE

  • A história sagrada dos Zuñi, do Novo México, representa a aproximação mais próxima de um verdadeiro mito de criação na América do Norte aborígene.
    • O relato de Cushing começa com o criador Awonawilona, que, através do pensamento, evolui místicas de crescimento e se torna o Sol, Pai.
    • O Pai Sol esfrega a pele e cria bolas de cutícula, que lança sobre as águas, originando a Mãe Terra e o Pai Céu; da coabitação destes surge toda a vida.
    • A Mãe Terra cria os acidentes geográficos, as nuvens e as chuvas, enquanto o cerimonial Zuñi desenvolve o mito com relatos da emergência da tribo e da origem de muitos aspectos da religião.
    • Parsons encontra motivos comuns a outras tribos na mitologia Zuñi, como a hierarquia de mundos, a origem da morte, a terra dos mortos, a distribuição das tribos, o nascimento da espuma e a visita de gêmeos ao pai-sol.

2. CALIFÓRNIA

  • Em contraste com o Sudoeste, os mitos de criação da Califórnia frequentemente carecem de uma narrativa coerente, mas compartilham características comuns quando aparecem.
    • A ideia comum é a de um herói cultural, com forma humana ou animal, flutuando sozinho ou com um companheiro em um caos aquático primordial.
    • O herói envia animais para mergulhar em busca de terra e, quando um finalmente tem sucesso, ele cria a terra atual a partir do solo obtido.
    • O herói pode então criar um segundo herói cultural (frequentemente o Coiote) ou outro herói humano, que por sua vez cria o homem a partir do barro ou da madeira e organiza os assuntos da terra.
    • São proeminentes os contos do roubo do fogo, da luz e do sol, o estabelecimento de características topográficas e a regulação da existência humana, incluindo a origem da morte e o estabelecimento do casamento.

3. ESQUIMÓ

  • O mito básico esquimó é simples e serve principalmente para explicar a deusa do submundo, Sedna, sem tentar explicar a criação original.
    • Sedna é uma garota que recusa pretendentes e é atraída para o casamento por um pássaro, descobrindo tarde demais a diferença entre a vida das aves e a dos humanos.
    • Após dar à luz filhos-pássaro, seu pai a resgata, mas durante uma tempestade, ele a joga no mar e corta seus dedos quando ela se agarra ao barco.
    • Os dedos se tornam os vários tipos de peixes, e Sedna afunda no oceano, tornando-se a deusa do mundo inferior.
    • Existem contos independentes e incoerentes sobre a origem do homem, do trovão, do relâmpago, da chuva e do dia e da noite, além da história generalizada da perseguição do sol pela lua.

4. FLORESTA DO NORDESTE

  • As tribos das Províncias Marítimas e da Nova Inglaterra possuem um repertório comum de lendas sagradas centradas no herói cultural Glooscap, que não são mitos de criação verdadeiros.
    • Glooscap é um herói com pouca sugestão de ser ao mesmo tempo humano e animal, embora sua natureza animal seja inconfundível, suas atividades são essencialmente humanas.
    • Suas andanças são responsáveis por várias características da paisagem, pela domesticação dos ventos e pela obtenção de água e alimento daqueles que os retêm.
    • No final de sua carreira, ele parte para o oeste e reside em outro mundo, preparando flechas para a grande batalha do último dia, onde concede um único pedido aos homens que o visitam.
    • Muitos incidentes incidentais da história de Glooscap são encontrados em outras partes da América, particularmente a leste dos Grandes Lagos.

5. IROQUES

  • Na área habitada pelos Iroqueses e tribos Algonquinas vizinhas, encontra-se um mito consistente sobre a criação da terra atual e de seus habitantes.
    • O mito começa com um mundo superior e uma vasta extensão de água abaixo; a filha do Chefe do Céu fica doente e é empurrada por um homem zangado em um buraco aberto no céu.
    • As aves aquáticas a pegam e a depositam suavemente na água, persuadindo a grande Tartaruga a recebê-la; animais são enviados para mergulhar em busca de terra, e o sapo bem-sucedido traz solo para criar a terra nas costas da Tartaruga.
    • A filha da mulher que caiu é impregnada pelo Vento Oeste e dá à luz gêmeos, um bom e um mau, que são os heróis culturais dos Iroqueses e brigam ainda no útero.
    • Comparado a outros mitos de criação, o iroquês é bem integrado e os incidentes mais característicos são a queda do céu e a terra sobre o dorso da tartaruga.

6. FLORESTA CENTRAL

  • O mito de criação mais conhecido é o de Manabozho (popularizado por Longfellow), cuja lenda básica na área ao redor do Lago Superior é consistente e tem pontos em comum com os Iroqueses.
    • O mito começa com uma mulher desobedecendo a uma advertência e sendo impregnada pelo vento; os gêmeos nascidos são amigos, não oponentes, assumindo as formas do Coelho Branco (Manabozho) e do Lobo.
    • O mito não é consistente com outros motivos, como o mergulho em busca de terra ou a criação do homem; o mergulho na terra ocorre durante um dilúvio como uma experiência do Herói Cultural.
    • Grande parte do mito de Manabozho é ocupada com a domesticação de monstros e a concessão de cultura ao seu povo, incluindo a história de seu irmão lobo e a formação do Grande Alojamento de Medicina.
    • O mito inclui um grande número de incidentes comuns a outras áreas, como competições de calor e frio, a existência da avó do criador e o roubo do verão e do fogo.
    • Diferente das lendas do Leste, o Herói Cultural também aparece no papel oposto de trapaceiro e tolo, assemelhando-se ao Coiote do oeste em vez de Glooscap.

7. COSTA NORTE DO PACÍFICO

  • Não existe um mito de criação propriamente dito, mas incidentes relacionados são parte da lenda do Herói Cultural, concebido em forma animal com características humanas.
    • A forma animal do herói varia: Corvo, Vison ou Gaio-Azul, mas o plano geral do mito básico é constante, começando com o nascimento de uma criança de concepção sobrenatural ou relação adúltera.
    • A criança tem crescimento sobrenatural, seduz a esposa de seu tio (ou a filha do Chefe do Céu), causando um dilúuo, e voa para o céu, onde seu filho cai em algas à deriva.
    • Este filho, adotado por um chefe, é o Corvo, a quem são atribuídas as várias aventuras do Herói Cultural, como roubos de fogo, luz solar, água e animais.
    • Tendo assegurado essas necessidades para a humanidade, Corvo viaja e transforma animais e objetos para que tenham suas características atuais, às vezes mostrando astúcia e outras vezes estupidez.

8. OUTRAS ÁREAS

  • Para as áreas restantes da cultura norte-americana, o panorama mitológico é muito mais confuso, sem um mito central bem concebido como nos ciclos de Manabozho ou Corvo.
    • Os incidentes de criação da área do Rio Mackenzie e do Planalto mostram estreita relação com os da Costa Norte do Pacífico.
    • Na grande área das Planícies, há uma variedade considerável de lendas sobre a criação, muitas pertencentes ao ciclo do Coiote, o herói trapaceiro, que se estende por todo o oeste do continente.
    • Não há um padrão unificado para as tribos do Sudeste, como os Cherokee, cujos mitos são uma coleção de motivos amplamente conhecidos, mas sem um mito bem integrado.

9. MOTIVOS MITOLÓGICOS

  • Os padrões mitológicos maiores, embora mostrem características distintivas em seus planos gerais, contêm muitos detalhes comuns a tribos de grande parte do continente.
    • A maioria desses mitos fala da origem da terra, do estabelecimento de seus primeiros povos, do Herói Cultural e seus feitos, do estabelecimento da cultura humana e de um ambiente habitável.
    • O estudo de incidentes individuais é mais importante para a disseminação de ideias do que os padrões básicos, pois muitas tribos não organizam seu material mitológico nesses padrões.
    • Vários incidentes separados envolvem o Criador, que geralmente não se distingue do Herói Cultural, como a avó do Criador, uma característica constante dos mitos da Floresta do Nordeste.
    • Os motivos sobre o trabalho do Herói Cultural são gerais, como mudanças no contorno da terra, e sobre o fim de sua carreira, ele parte para o oeste e espera-se que retorne para ajudar seu povo.

O MUNDO PRIMORDIAL E A CRIAÇÃO DA TERRA

  • A concepção de uma água primordial cobrindo uma terra ainda não criada está presente em quase todas as histórias de criação indígena norte-americana, com exceção provável dos esquimós.
    • O Criador, às vezes com um companheiro, flutua sobre essa água em um barco ou jangada e envia vários animais para mergulhar em busca de terra, uma tentativa após a outra fracassando.
    • Finalmente, um animal (frequentemente o rato almiscarado) retorna com um pouco de solo, que o Criador expande para se tornar a terra flutuante sobre o dilúvio original.
    • O episódio do mergulhador da terra aparece em todas as seções do continente, exceto no Sudoeste, e é tão uniformemente distribuído que seu centro de distribuição é difícil de determinar.

OS PAIS DO MUNDO E O SUPORTE DA TERRA

  • Característico do Sudoeste e da Califórnia é o conto dos Pais do Mundo Originais, onde terra e céu estavam unidos, e com o tempo, o céu é empurrado para cima para dar lugar à existência da humanidade.
    • Os Iroqueses e os povos da Floresta do Nordeste contam sobre a tartaruga que sustenta a terra em suas costas.
    • Mais difundida é a crença de que a terra é sustentada por um grande poste que um castor está roendo, e quando ele o cortar, o mundo acabará.
    • Alguns poucos povos mencionam o suporte da terra sobre os ombros de um homem, e vários contos da Califórnia e do Sudoeste mencionam o estabelecimento de colunas para sustentar a terra nas quatro direções cardeais.

A ORIGEM DA HUMANIDADE E AS EXPLICAÇÕES NATURAIS

  • Embora os ensinamentos sobre o Criador e o estabelecimento do universo sejam fragmentários, quase todo povo contribui com um acervo de contos interessantes sobre o início da humanidade.
    • O Herói Cultural não é geralmente considerado o Criador original, embora às vezes seja instrumental na criação do homem.
    • Existe uma tradição definida no sul da Califórnia e no Sudoeste da criação do homem a partir de fricções da pele do Criador, enquanto a criação a partir do barro (em alguns contos da Califórnia e no Centro-Oeste) levanta suspeita de influência bíblica.
    • Existem centenas de explicações de fenômenos naturais nos contos indígenas, mas na maioria dos casos são meramente incidentais e não são usadas com qualquer consistência como parte do conto.

DESTRUIÇÃO E RENOVAÇÃO DO MUNDO

  • A ideia de uma série de criações é confinada a relativamente poucas tribos, principalmente no Sudoeste, mas o conceito mais simples de destruição do mundo por dilúvio ou fogo e sua renovação é encontrado em quase todos os lugares.
    • Das histórias de dilúvio que parecem aborígenes, há bons exemplos em todas as partes do continente, às vezes obviamente relacionados entre si e outras vezes claramente independentes.
    • Uma causa relativamente difundida para esses dilúvios são as lágrimas, frequentemente de um pretendente decepcionado, uma tradição definitiva disseminada da Costa Norte do Pacífico.
    • Outra tradição definida, que se estende da Califórnia à Nova Escócia, é sobre um monstro que bebe um lago e, quando morto e com sua barriga perfurada, causa o dilúvio.

A REGULAÇÃO DAS ESTAÇÕES E DOS VENTOS

  • Grande engenhosidade foi usada para explicar por que temos a alternância adequada de luz e escuridão, com contos relatados de todas as áreas, exceto a Costa do Pacífico.
    • Há uma riqueza muito maior de lendas sobre a determinação das estações, às vezes na forma de um debate em que o vencedor prescreve a duração do verão e do inverno, particularmente popular entre as tribos ocidentais.
    • A história do Casamento do Norte e do Sul, conhecida na Costa Norte do Pacífico, regula a sucessão de calor e frio quando o filho e a filha dessas grandes forças naturais se tornam marido e mulher.
    • O conto do Roubo das Estações é popular entre as tribos mais orientais, onde o ladrão é geralmente um pássaro ou animal, e a estação que precisa ser trazida de volta é o verão.
    • Quase todas as histórias sobre o estabelecimento dos ventos nos quatro quadrantes da terra parecem ser para um arranjo organizado dos assuntos, às vezes relacionados ao simbolismo de cores.

O ROUBO DE LUZ, FOGO E ÁGUA

  • O Roubo da Luz ocorre em toda a América, mas é mais persistente como lenda na Costa do Pacífico, onde a terra está na escuridão total até que o Herói Cultural roube a luz de um monstro.
    • As histórias do Roubo de Fogo são geralmente paralelas em todos os aspectos ao roubo da luz, sendo um dos motivos mais populares em todos os contos indígenas norte-americanos, mas aparentemente ausente entre os Iroqueses e tribos do Nordeste.
    • A conexão com o mito de Prometeu é altamente improvável, embora duas tribos da Califórnia contem que o fogo foi carregado do monstro em uma flauta ou cana, um paralelo impressionante com a flauta da mitologia grega.
    • Os contos da libertação da água, retida por um monstro (frequentemente um sapo gigante), têm uma distribuição peculiar, encontrada em numerosas versões ao longo da Costa Norte do Pacífico e do Atlântico Norte.

A ORDENAÇÃO DA VIDA HUMANA E A MORTE

  • Uma parte considerável de todos os mitos de criação está relacionada com a ordenação da vida humana após o ato inicial da criação do homem.
    • Muitas histórias, provavelmente independentes, explicam como a necessidade de órgãos sexuais foi suprida e como se deu a iniciação no ato sexual.
    • O conto da Confusão das Línguas é especialmente popular em todas as áreas ocidentais, explicando como as tribos passaram a falar suas línguas atuais.
    • O Herói Cultural, frequentemente em sua forma de trapaceiro, decretou que o homem deve morrer, e um interessante desdobramento em toda a metade ocidental do continente mostra que, após instituir a morte, seu próprio filho morre e ele se lamenta em vão.
    • Os contos sobre a origem dos cereais mostram muita variedade no oeste, mas um mito bastante unificado é contado nas Florestas Central e Oriental e entre os Iroqueses.

O CICLO DO TRAPACEIRO (TRICKSTER)

  • A característica mais peculiar dos contos dos indígenas norte-americanos é a popularidade das histórias de trapaceiro, existindo um considerável corpo de anedotas conhecidas em várias áreas como as aventuras de diferentes trapaceiros.
    • O Coiote é o mais conhecido de todos, familiar às tribos da Califórnia, Sudoeste, Planalto e Planícies, enquanto na Costa Norte do Pacífico o Trapaceiro também é o Transformador (Corvo, Vison ou Gaio-Azul).
    • Nas Planícies, o trapaceiro aparece como Velho, Nihansan, Inktomi ou Sitkonski, e na Floresta Central as aventuras são geralmente atribuídas a Manabozho ou Wiskedjak.
    • Coiote, os Transformadores da Costa Norte do Pacífico, o Velho e Manabozho aparecem em outros contos como o sério Herói Cultural e, em alguns casos, o próprio Criador, um conceito duplo característico de toda essa área ocidental.
    • As aventuras do Trapaceiro são inconsistentes, mostrando-o tanto como um enganador astuto quanto como um tolo, e essa mistura de conceito está continuamente presente.

1. FLORESTA CENTRAL (TRAPACEIRO)

  • O grupo de contos de trapaceiro que mantém a ordem mais clara e a relação mais lógica entre si é o contado na área da Floresta Central sobre o Herói Cultural Manabozho.
    • A anedota mais popular envolve suas aventuras com patos, onde ele os atrai para dançar de olhos fechados enquanto ele toca tambor, matando um após o outro até ser descoberto.
    • Depois de matar os patos, ele os enterra na areia e dorme, deixando suas nádegas de guarda, mas enquanto dorme, ladrões roubam todos os patos, substituindo cuidadosamente as cabeças e pés.
    • Em outra ocasião, seus absurdos sentimentos de pena por duas árvores rangendo o levam a ficar preso entre os galhos, assistindo intrusos comerem toda a sua festa.
    • Ele convence o abutre a levá-lo para um passeio pelo ar, mas o abutre o sacode e ele cai de uma grande altura, depois se transforma em um veado morto para enganar o abutre.

2. PLANÍCIES (TRAPACEIRO)

  • Não há uma linha nítida de demarcação entre os contos de trapaceiro da região dos Grandes Lagos e das Planícies, com muitos incidentes aparecendo também no Planalto e no Sudoeste.
    • Um conto conhecido combina astúcia com crueldade desnecessária, onde o Trapaceiro, deixado como guardião das crianças, mata e cozinha os filhos de outros animais, enganando as mães para que comam sua própria prole.
    • Os indígenas das Planícies também gostam de contar sobre as aventuras tolas de seu Trapaceiro, como a história da Pedra Rolante Ofendida, que persegue o dupe que recuperou seu cobertor de uma pedra.
    • Ainda mais popular em todo o oeste é o conto tolo do Malabarista de Olhos, que recebe o poder de atirar os olhos para o ar e recolocá-los, mas perde os olhos por desobedecer à restrição de número de vezes.
    • O conto do Mergulho em Busca de Alimento Refletido, sobre o trapaceiro que mergulha atrás de comida refletida na água, é bem conhecido no resto do país, embora algumas versões possam ser empréstimos da fábula de Esopo.

3. PLANALTO (TRAPACEIRO)

  • As tribos da área do Planalto não mostram grande diferenciação dos povos vizinhos em relação aos contos de trapaceiro, sendo essencialmente transicionais, com Coiote como o trapaceiro em toda a área.
    • Um motivo favorito é a transformação de Coiote em um prato para receber a comida que as pessoas colocam nele, um incidente ouvido em outros lugares, mas apenas raramente.
    • A competição entre Coiote e o canibal, popular principalmente no Planalto, envolve Coiote blefar o canibal para que ele acredite que é Coiote, e não ele, quem come carne humana.
    • Os indígenas do Planalto também gostam de Coiote como bufão, compartilhando com a Califórnia a anedota em que o Trapaceiro curioso emprega um chocalho de uma raposa e quase é morto.
    • Na história bem organizada de Coiote e Porcupino, o trapaceiro aparece em uma posição ambígua, sendo tanto enganador quanto dupe, e ocorre em quase todos os lugares das Planícies e do Planalto.

4. COSTA NORTE DO PACÍFICO (TRAPACEIRO)

  • Na Costa Norte do Pacífico, os contos de trapaceiro são geralmente associados ao Herói Cultural, com os povos particularmente preocupados com incidentes ilustrativos da gula e luxúria do Trapaceiro.
    • O conto dos Cegos Enganados, muito popular na Costa Norte do Pacífico, envolve o Trapaceiro que cobiça o suprimento de alimentos de dois cegos e troca suas linhas de água para provocar uma briga e roubar as provisões.
    • Das aventuras amorosas do Trapaceiro, uma envolvendo incesto (um irmão desejando sua irmã) é particularmente frequente, e a mais característica envolve sua tentativa mágica de ter relações com uma mulher do outro lado de um riacho.
    • O conto do Anfitrião Atrapalhado, talvez mais conhecido das ações tolas do Trapaceiro, é corrente em todas as áreas culturais do continente, exceto entre os esquimós, e até na Sibéria.
    • Neste conto, o trapaceiro visita vários animais que exibem seus poderes especiais (muitas vezes mágicos) de obter alimento, mas quando ele retorna o convite e tenta produzir alimento da mesma maneira, ele sempre falha e quase morre.

CONTOS DE HERÓIS E TESTES

  • A maioria das tribos indígenas norte-americanas tem um ciclo de histórias bem desenvolvido sobre um herói que passa por uma série de testes perigosos, com essas histórias mais comuns em certas áreas, mas conhecidas em todo o continente.
    • Estas histórias geralmente seguem um padrão onde um herói (às vezes auxiliado por meios mágicos) supera vários perigos, como monstros devoradores de homens, ou completa tarefas difíceis.
    • O Herói muitas vezes recebe ajuda de seres sobrenaturais ou animais, e os testes são frequentemente impostos por um sogro hostil, um tio ou algum outro parente que deseja se livrar dele.
    • Um catálogo de motivos em contos de teste inclui testes de calor, o teste da cunha, o teste do abandono em um barco e o teste da queda do penhasco, muitos dos quais são particularmente característicos da Costa Norte do Pacífico.

1. COSTA NORTE DO PACÍFICO (HERÓIS E TESTES)

  • O padrão de conto de teste mais popular na Costa Noroeste envolve um genro testado por seu sogro, o Sol, frequentemente começando com o nascimento sobrenatural do herói dentro de um salmão.
    • O herói, após ser ressuscitado duas vezes, sobe ao mundo superior em uma pilha de penas de águia e recebe uma bexiga contendo vento frio de uma velha para se salvar do calor excessivo do Sol.
    • O Sol, percebendo que o herói é pretendente de suas filhas, tenta matá-lo enviando suas filhas como cabras da montanha e trocando as flechas do herói por outras com pontas rombas de carvão.
    • Após matar as cabras (as filhas do Sol) e depois restaurá-las à vida, o herói se casa com duas das filhas, mas continua sendo submetido a testes perigosos, como ser jogado na água e ter o mar congelado sobre ele.
    • Outra introdução popular aos episódios de teste envolve um tio ciumento que sempre mata seus sobrinhos, mas a mãe do herói esconde o sexo do filho, que é criado como uma menina e depois escapa de uma série de provações.

2. FLORESTA CENTRAL (HERÓIS E TESTES)

  • Os testes do genro não estão confinados à costa oeste, sendo um bom exemplo da Floresta Central a história do povo Ojibwa, onde o sogro é o conhecido trapaceiro Wemicus.
    • A esposa do herói o avisa que seu pai tentará matá-lo, e durante uma caçada, o velho tenta queimar os mocassins do herói enquanto ele dorme, mas o herói troca os mocassins e o velho fica descalço.
    • O velho leva o jovem para andar de tobogã para que ele caia em meio a cobras venenosas, mas a esposa dá ao herói um tabaco mágico que o protege.
    • O herói é abandonado em uma ilha rochosa para coletar ovos de gaivota, mas consegue matar as gaivotas ferozes e voar de volta para casa usando suas asas.
    • O último episódio envolve um desafio de corrida de barcos, onde o herói encoraja o velho a colocar muita vela, fazendo seu barco virar, e ele se transforma em um grande lúcio, explicando a origem do peixe.

3. IROQUES (HERÓIS E TESTES)

  • Ao passar da área dos Grandes Lagos para as tribos Iroquesas, o tema do teste ainda é uma parte importante do folclore, com muitos incidentes encontrados em outros lugares.
    • Quanto ao padrão geral, o esquema é geralmente muito simples, permitindo uma grande variedade de tratamento detalhado.
    • Em um grupo de histórias, há um paralelo próximo com o conto da Costa Norte do Pacífico sobre o tio ciumento.
    • Em outro, os testes são atribuídos pela sogra do herói, que sonha (ou finge sonhar) com as várias missões perigosas que o envia.

4. CALIFÓRNIA (HERÓIS E TESTES)

  • Um conto aparentemente confinado à Califórnia envolve uma garota que desobedece sua avó e desenterra uma raiz de duas hastes, que se transforma em uma criança que a chama de mãe.
    • O menino é criado pela avó e, quando cresce, sobe em uma árvore em busca de bolotas, e a árvore cresce com ele até o céu.
    • No mundo superior, ele tem aventuras com três garotas e mata um veado branco, sendo reconhecido por sua mãe como filho.
    • A avó o equipa com arco e flecha, um bastão de shinny e madeira para a casa de suor, e ele passa por vários testes, incluindo obter madeira suficiente para dez casas de suor e vencer uma partida de shinny.

5. PLANÍCIES (HERÓIS E TESTES)

  • Um dos contos mais populares da área das Planícies é o do Menino-Coágulo-de-Sangue, onde um velho maltratado pelo genro encontra um coágulo de sangue que se transforma em um bebê.
    • O bebê cresce até a idade adulta em uma única noite e conta aos velhos que desceu do mundo superior para ajudá-los, matando o genro cruel no dia seguinte.
    • O herói então supera uma série de monstros que privam as pessoas de comida, incluindo ursos que ele mata jogando pedras quentes em suas gargantas e uma cobra gigante adormecida.
    • Ele é sugado para dentro da boca de um peixe gigante por uma grande tempestade de vento, mas leva as pessoas lá dentro em uma dança até que a faca em sua cabeça atinja o coração do peixe.
    • Outro tipo interessante de conto de herói é conhecido como Menino-da-Lodge e Jogado-Fora, popular nas Planícies, onde gêmeos são retirados do corpo de sua mãe grávida assassinada.

6. SUDOESTE (HERÓIS E TESTES)

  • Nas tribos do Sudoeste, muitos detalhes de histórias de heróis de áreas vizinhas são frequentemente adaptados a um enredo geral diferente, como as aventuras de gêmeos heroicos como parte da lenda sagrada.
    • Um bom exemplo de uma história regular de herói no Sudoeste é O Ataque ao Alce Gigante, popular entre os Apaches e Navahos, onde o herói, frequentemente filho do Sol, cresce até a idade adulta em poucos dias.
    • Sua avó lhe fornece armas e lhe fala sobre vários monstros, incluindo um alce gigante que ele aborda na forma de um lagarto, ajudado por um esquilo terrestre que cava um túnel sob o alce.
    • O herói atira no alce através do coração e, antes de morrer, o alce ara o túnel, criando as montanhas atuais.
    • O herói então ataca uma águia gigante, deixando-se cair como se estivesse morto abaixo do penhasco onde a águia tem seu ninho, para que ela o carregue para cima e ele possa matar as águias.

MOTIVOS DO TEMA-TESTE

  • Embora as histórias de heróis e seus testes mais conhecidas sejam as descritas, muitos padrões divergentes são encontrados em toda parte, com componentes frequentemente os mesmos que aparecem em outras histórias entre tribos distantes.
    • Um resumo dos motivos que ocorrem em contos de teste e heróis serve para ilustrar como certos incidentes dependem de estruturas de enredo particulares e outros podem ocorrer em uma variedade de contos.
    • A ideia geral do nascimento milagroso do herói é tão comum em todo o continente que uma listagem de ocorrências não tem valor especial, mas a maneira particular de concepção ou nascimento é frequentemente distintiva.
    • A remoção do herói do corpo da mãe morta é mais popular nas Planícies, enquanto o nascimento de uma criança a partir de um coágulo de sangue parece ocorrer apenas no conto do Menino-Coágulo-de-Sangue.
    • O incidente do Dreadnaught, onde o herói é proibido de ir em certas direções e desobedece, é uma parte regular dos contos das Planícies, mas também é conhecido em outras conexões em todo o continente.

JORNADAS PARA O OUTRO MUNDO

  • Uma distinção clara entre eventos deste mundo e de outros geralmente não é encontrada nos contos indígenas norte-americanos, sendo os mundos frequentemente conectados por meios como árvores que se estendem ou uma cadeia mágica de flechas.
    • O conto O Marido Estrela, um dos mais interessantes, envolve uma garota mortal que se encontra no mundo superior, casada com uma Estrela, que a proíbe de cavar em um certo lugar.
    • Quando ela desobedece e vê sua antiga casa abaixo, ela prepara uma corda e desce, um enredo unificado em todas as oitenta e cinco a noventa versões conhecidas.
    • O conto assume três tipos bem definidos: Tipo I (simples, com duas garotas desejando estrelas), Tipo II (desenvolvimento nas Planícies, com um homem-céu escolhendo uma esposa na forma de um porco-espinho) e Tipo III (difundido no Canadá, com duas garotas descendo em uma corda e alojando-se em uma árvore).
    • A árvore que se estende até o céu é essencial para um conto conhecido no Planalto, Califórnia e áreas do Pacífico Norte, onde um pai ciumento faz a árvore se esticar até o céu enquanto o filho está subindo nela.
    • A história da Corrente de Flechas, conhecida dentro de uma área relativamente pequena, envolve o herói atirando uma enorme quantidade de flechas em direção ao céu para formar uma escada pela qual ele sobe ao mundo superior.

VISITAS AO MUNDO INFERIOR E TERRAS IMAGINÁRIAS

  • Visitas ao mundo inferior não ocorrem em muitos contos indígenas norte-americanos, mas há uma série de histórias em que tal jornada é o motivo central, sendo sempre a morada dos mortos.
    • Este conto é um paralelo interessante ao mito grego de Orfeu e Eurídice, onde um homem segue sua esposa morta até o mundo dos mortos e obtém permissão para trazê-la de volta, geralmente sob alguma condição.
    • De cerca de quarenta versões, apenas três contam o retorno bem-sucedido da esposa, indicando que, no padrão indígena norte-americano regular, ela permanece no mundo dos mortos.
    • Este conto está concentrado nos lados oriental e ocidental do continente e está quase completamente ausente entre as tribos centrais e do norte.
    • As tribos da Costa Norte do Pacífico são particularmente afeiçoadas a contos envolvendo jornadas para lugares incomuns, como a terra onde tudo é sombras e ecos, habitada por pessoas invisíveis que vivem dos odores dos alimentos.

ESPOSAS E MARIDOS ANIMAIS

  • Nos contos indígenas norte-americanos, o casamento de seres humanos com animais reais é de ocorrência muito frequente, sendo mais popular entre os esquimós, na Costa Norte do Pacífico e entre as tribos das Planícies.
    • O conto esquimó da Mulher-Raposa envolve um homem que descobre que sua zeladora misteriosa é às vezes uma mulher e às vezes uma raposa, e eles são felizes até que ele menciona sua origem como raposa e ela o deixa com raiva.
    • O conto dos Maridos Águia e Baleia, que se estende por toda a área esquimó, envolve duas garotas que desejam ter um águia e uma baleia como maridos, sendo uma levada para o alto de um penhasco e a outra para o fundo do mar.
    • Um conto de um marido baleia popular na Costa Norte do Pacífico envolve uma mulher puxada para baixo por uma baleia assassina e resgatada por seu marido com a ajuda do Tubarão, que apaga a luz na casa da baleia.
    • A história do Jovem que se Juntou aos Veados, característica das tribos da Colúmbia Britânica, envolve um jovem que se encontra misteriosamente em um reino subterrâneo dos veados, representados como humanos na maior parte do tempo, e ele se casa lá.

A ESPOSA BÚFALA E O MARIDO CÃO

  • Quase inteiramente confinada às tribos das Grandes Planícies é a história da Esposa Búfala Ofendida, onde a esposa búfalo e seu filho retornam ao rebanho após serem ofendidos pela esposa humana.
    • O marido os procura e o velho búfalo concorda em devolvê-los se ele conseguir escolhê-los entre todos os outros do rebanho, o que ele faz com a ajuda de um sinal pré-combinado com seu filho búfalo.
    • A história do Marido Cão tem uma distribuição muito clara, das planícies ocidentais ao norte da Califórnia, e frequentemente se confunde com o mito de Sedna entre os esquimós.
    • Uma garota é visitada por um amante desconhecido com forma de cão durante o dia e de homem à noite, dando à luz filhos-cão, e é desertada pela tribo.
    • Amiga do Corvo esconde fogo para ela em uma concha de amêijoa, os meninos são transformados em forma humana quando suas peles de cão são destruídas, e eles prosperam enquanto a tribo que os desertou está à beira da fome.

RELAÇÕES SEXUAIS CLANDESTINAS E MULHERES-ANIMAIS

  • Um grupo considerável de histórias, conhecido em toda a área indígena norte-americana, mas especialmente popular entre as tribos das Planícies, encontra seu principal interesse nas relações sexuais clandestinas de uma mulher com algum animal.
    • A história da Cabeça Rolante, das Planícies, envolve um marido que descobre que sua esposa está cometendo adultério com uma cobra, mata a cobra e pune a esposa, cuja cabeça rola atrás do homem e sua família.
    • Na maioria das versões do Planalto e da Costa Norte do Pacífico do conto da mulher com o paramour cobra, ela é coagida a comer sem saber alguma parte de seu amante assassinado.
    • Outro conto das Planícies, A Mulher-Ursa, envolve uma mulher cujo paramour é um urso; após o marido matar o urso, ela se transforma em um urso e ataca sua família, que foge e a mata descobrindo seu único ponto vulnerável.
    • A história da Garota da Farpa no Pé, das Planícies, começa com o nascimento de uma garota de um ferimento de farpa no pé de um jovem; ela é raptada por um touro búfalo e resgatada por amigos toupeira e texugo.

CONTOS INDÍGENAS NORTE-AMERICANOS MISCELÂNEOS

  • Cada área tem seus próprios ciclos de contos especialmente desenvolvidos, e existem um pequeno número de histórias de distribuição muito mais do que local que pertencem a nenhuma das categorias discutidas.
    • Quatro contos correntes na Costa Norte do Pacífico incluem a princesa orgulhosa que menospreza seu amante, um conto de canibal reminiscente de João e Maria, um conto do homem cego cuja esposa sempre mira sua flecha para ele, e a história do homem que se torna belo por meios mágicos.
    • O conto das Crianças Desertadas, amplamente distribuído em todo o oeste, começa com o abandono de crianças pela tribo e suas aventuras com uma velha canibal, incluindo uma fuga através de um rio em um monstro aquático e depois na perna de um grou.
    • A fuga através do rio na perna do grou é uma característica regular de Mulher-Ursa e Mulher-Veado, um conto popular na Califórnia onde os filhos do veado se vingam da ursa que matou sua mãe.
    • A ciúmes entre uma mãe e filha é a força motriz de duas histórias relacionadas, A Gangorra Fatal e o conto onde a mulher mais velha mata a mais nova e veste sua pele para enganar o marido da vítima.
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